Acabo de ler um artigo no jornal alemão “Die Welt” que me trouxe de volta à realidade. Já tendo passado por inúmeros países achava que conhecia um pouco de mundo, mas não! Pois então, o artigo conta sobre uma proibição das autoridades irlandesas de darem ajuda de custo social para aqueles que estiverem vestidos de pijama no estabelecimento.
Lendo um pouco mais a respeito, os europeus estão furiosos pelo fato de muitos pais levarem os filhos na escola de manhã de pijama. Eles querem proibir que isso aconteça, porque não sabem o que pode vir depois do pijama: cueca e meia, calcinha e sutiã (ou sem sutiã)? Será que o fundador da Playboy, Hugh Heffner, iniciou a moda de se sentir em casa em todo e qualquer lugar?
Na China é comum ver pessoas de pijama na rua, sem contar as famosas mulheres de Shanghai e suas camisolas, mas o motivo não é simplesmente preguiça ou comodidade, mas sim classe social. Os chineses mais pobres jamais gastariam dinheiro com pijama, considerado um artigo de luxo. Eles dormem com roupa velha e surrada mesmo. Agora aqueles que podem gastar um pouco mais, compram pijamas para fazer questão que todo mundo veja. É muito comum ver gente passeando com o cachorro de pijama, fazendo compras, cortando o cabelo no salão (adultos e crianças). Já no Camboja e na Tailândia por exemplo, são mais as crianças que saem de pijama em público.
Uma vez escrevi uma crônica sobre o direito que cada um devia ter de poder ficar pelado dentro da própria casa sem ter que se preocupar com incredibilidade dos vizinhos voyeurs e de suas crianças se divertindo com a visão da casa ao lado. Mas filosofar sobre pijama nunca me passou pela cabeça.
Quanto uma pessoa ocidental vem para a Ásia, ela percebe que muitas coisas são diferentes como hábitos alimentares, modo de pensamento, vestimenta, e essa estranheza toda a faz aceitar aquilo que não está acostumada como “normal” tão longe de casa. Agora os europeus e os norte americanos não são tão diferentes dos brasileiros. Por isso nunca achei que fosse ler um artigo desse, sobre gente saindo de pijama na rua. Já acho muito relaxo uma mulher que nunca usa um brilho nos lábios ou nunca passa pelo menos um rímel para sair por aí, agora pijama é demais! Melhor sair pelada na rua mesmo.
Fico imaginando os avisos em lugares públicos para gente-sem-noção no mundo ocidental (porque aqui no oriente tudo é possível, mesmo que nem sempre explicável): O uso do pijama está vetado neste estabelecimento. Favor não lixar a sola do seu pé neste restaurante. Favor não soltar gazes neste elevador. Favor não urinar no chão dos lavatórios desta aeronave. Favor não fumar na Setor de Emergências deste hospital. Queira por gentileza mastigar as guloseimas de boca fechada durante o filme e ainda desligar os telefones celulares. Agradecemos.
Da mesma forma que tem gente que precisa ler um aviso para não secar animais domésticos no micro-ondas, tem gente que precisa ser lembrada de que as roupas (ou a falta delas) fazem a imagem.
O que? Você está me dizendo que sair de pijama na rua não é tão sério como cutucar as unhas dos dedos do pé sentado ao lado de um estranho no avião, trem ou ônibus? Huh! O que foi que eu disse logo no começo desta crônica? Nada sei eu do mundo mesmo!
Luciana B. Veit
Pijama em público –
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Tags: Ásia, China, seres humanos
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