As várias facetas da humanidade

MáscarasQuando foi a última vez que paramos para olhar as pessoas ao nosso redor? Pode ser que tenha sido há cinco minutos, ou há um mês, há uma eternidade, ou talvez até nunca.

Ocupados demais com nossas obrigações cotidianas, deixamos de nos divertir ao observar o ser humano.

A pobre que ficou rica faz questão de mostrar tudo aquilo que conquistou, de um jeito ou de outro. Entretanto, por mais que tenha sido lapidada, sempre haverá algo nela que acuse seu passado.

Já a professora primária ou bibliotecária solteirona, que aos olhos do povo é a cidadã modelo em todos os ângulos, é quem amaldiçoa as lindas, bem casadas e ainda inteligentes mulheres que agitam as revistas e os noticiários.

Os homens, quando crescidos, não conseguem viver em paz com sua própria consciência se não mostrar a todos a mulher que é louquinha por ele, a casa na praia que ele acabou de reformar, o carro que acabou de trocar, além de sempre querer dar o ponto final em qualquer tópico de conversa.

As velhinhas de repente viraram santas e jamais, jamais pensariam nada de inapropriado (quando na verdade anseiam por uma quente cena de sexo na televisão, ou em suas camas – e com razão, já que não estão mortas!).

Os adolescentes procuram ficar em evidência não só através da marca do tênis ou do jeans que usam, mas também através do vocabulário transado e postura ameaçadora.

E os joguinhos de sedução e a importância do poder continuam sendo os mesmos e bastante visíveis para cada um que esteja com os olhos realmente abertos.

Com alguns estudos do passado em mãos, chego a conclusão de que a pouco se desenvolveu com o passar dos séculos. As ansiedades e medos continuam os mesmos, a necessidade de receber atenção e julgamento – bom ou ruim – continuam presentes e as máscaras que usamos assim que colocamos os pés para fora de casa pouco mudaram sua confecção, porque por mais maluco que possa parecer, é isso que desejamos.

Sendo assim, se o interior de cada um deve continuar secreto para terceiros, de vez em quando vale a pena pelo menos observar ao nosso redor e nos divertimos, fazendo ligações entre o físico e o mental de cada um, mas sem esquecer de parar de frente o espelho e fazer a mesma análise de nós mesmos. Sou aquilo que quero ser, ou o que devo ser? A máscara que uso é a que mais combina comigo, é aquela que mais esconde a minha vulnerabilidade?

Luciana B. Veit


 

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