Um e vários, vários e um

MatriushkasOntem mesmo estava ouvindo música no rádio quando um hit antigo tinha (mais ou menos) como refrão: “Se estivesse na minha frente e eu pudesse fazer uma única pergunta a Ele, qual seria?”

Daí eu me perguntei a mesma coisa e me dei conta que provavelmente ficaria muda. Isso não se dá pela falta de imaginação, mas sim pela complexidade do momento. É impossível fazer uma só pergunta de qualidade para Deus, ou para qualquer ídolo que tenhamos. Tenho certeza que você, como eu, não se conforma com pouco e uma pergunta só jamais satisfaria a nossa sede de saber.

Desenvolvendo meu pensamento, liguei os pontos de uma situação que havia vivido no dia anterior e me dei conta que a quer mesmo simplificar as coisas, transformar algo grande em pequeno.

Por exemplo, sou 100% favor da globalização, mas ainda defendo a e costumes locais de cada povo. Acho que deveríamos aprender mais línguas estrangeiras, mas também que um idioma mundial fosse obrigatório em todas as escolas, porque por mais que Inglês seja óbvio nas Américas e na Europa, não é tão óbvio na África e Oriente Médio onde o Árabe predomina, na Eurásia onde o Russo comanda e na Ásia onde o Japonês anda na frente.

Mas unificação mundial de lado, penso nos sub-grupos da sociedade, o que faz de trinta ou cem mulheres, homens ou crianças por exemplo, uma identidade só. E quando não conseguimos encontrar aquele sub-grupo que cabe na nossa personalidade como uma luva?

Por que temos que fazer parte de grupos?

Ah, aquele é do grupo da bagunça e aquele do de nerds. Aquele outro grupo é dos artistas representados por agentes, mas aquele outro grupo é das fofoqueiras inúteis. Grupo dos perdedores, grupo dos vencedores. Grupo dos fracos, grupo dos fortes.

Que chatice! Detesto títulos! Não faço parte do grupo das brasileiras no exterior porque não faço questão de comer feijoada. Não faço parte do grupo das inglesas e nem das alemãs porque eu não possuo o mesmo passaporte que elas. Não faço parte do grupo das mães da escola porque não jogo meu tempo fora com cafezinho enquanto meu filho tem aula. Não sou escritora, mas o que faço é escrever. Sou culta, mas ainda tenho tanto a aprender! Não sou expatriada, mas vivo pulando de país em país. Sou de paz, porém tenho o sangue quente. Não sou a senhora de sobrenome tal e tal, no entanto amo e acompanho meu marido nas várias etapas da . E ainda não posso ser descrita sendo assim ou assado porque sou de lua.

Existe talvez somente três títulos que aceite com toda a verdade do meu coração: sou mãe, sou megalopense e sou um indivíduo único.

Mas mesmo o indivíduo único pode ser complicado: sem dúvida não há ninguém neste planeta como eu, mas eu não sou a única pessoa que pensa assim. Mesmo o meu indivíduo é dividido em vários conforme os meus sentimentos momentâneos, a posição da lua e a situação em si.

Cortando aqui e lá e colocando os fatos de ponta-cabeça, mãe é realmente o único título que me cabe inteiramente.

Por essa e outras coisas seria impossível fazer uma única pergunta para Deus e me enquadrar em somente um denominado grupo de pessoas da sociedade.

No fim o “um” acaba se tornando em vários e os vários nem sempre se tornam em “um”.

Luciana B. Veit


 

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