É engraçado como o ser humano é confuso. Há quem diga que os maiores problemas do mundo atual se dêem por conta da falta de comunicação, logo compreensão.
No entanto, aqueles que se libertam indiretamente das regras sociais e choram em público, ou procuram traduzir a alma, lutando para encontrar as palavras que melhor expressam seus mais íntimos sentimentos são tidos como loucos ou desequilibrados.
O que é que queremos de verdade? Nos expor ou nos preservar? Aquele que se preserva, se esconde e cria uma barreira para os demais. Mas aquele que se expõe, assusta os terceiros e em certos casos também chega a criar um distanciamento.
O sujeito seguro, que fala, pensa e age como todo mundo, nunca será extraordinário. Por isso é fácil entender o motivo de tantas pessoas iluminadas intelectualmente serem tão solitárias – é porque tudo o que fazem, assusta. Se está quieto é porque deve estar depressiva, ou se está falante demais é porque quer se mostrar e apagar o brilho dos outros.
Fato é que a sociedade tem seus problemas em aceitar genuínas expressões, vindo elas do coração ou diretamente do intelecto.
Neste caso, o que nos resta fazer? Nada, já que a humanidade pouco se desenvolveu nos últimos séculos. Quanto mais aprendemos línguas estrangeiras ou tentamos ser honestos conosco e com os terceiros, menos nos compreendemos reciprocamente. Seria isso falta de fé? Não, mas sim de praticidade.
Já que ninguém está disposto a mergulhar de cabeça na alma de ninguém, deveríamos continuar sendo quem somos, no entanto refletir sobre o assunto às vezes nos aproxima de nós mesmos.
Luciana B. Veit
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