Sacrificando o Sacrifício

Sacrificando por Luciana B. VeitO que você está sacrificando agora mesmo para poder ler este semanal? Está deixando seu filho chorar ou se educar passivamente de frente à TV? Deixou de escrever o relatório do trabalho que já deveria estar pronto para pensar em outra coisa? O fedor dos seus arredores e talvez até mesmo de sua pele podem esperar um pouco?

Ou você não está sacrificando nada?

É claro que está! Todos nós nos sacrificamos ou sacrificamos outras pessoas diariamente por coisas que parecem valer mais a pena ou parecem ser mais importantes naquele instante. Mas o pior é que muita gente sacrifica coisa importante por praticamente nada de valor em troca, seja esse emocional, intelectual ou financeiro, ou ainda de acordo com a sua saúde, ou de acordo com o ponto de vista religioso.

Você não come doce nem fritura para não engordar, mesmo quando dar a primeira mordida em um bolo ou em um pudim seja um dos seus grandes prazeres da . Vale a pena?

Você não tem um grande círculo de amigos para se dedicar à si mesmo no seu escasso tempo livre, fazendo o que quer e quando quer. Vale a pena?
Às vezes sacrifica a proteção de mãe ou pai para que seu filho encontre sozinho sua voz neste mundo. Vale a pena?

Você sacrifica sua em nome da segurança. Vale a pena?

Você sacrifica várias compras no shopping center só para viajar com mais freqüência. O que vale mais a pena, uma lembrança ou um bem que possa ser apalpado?

Soldados sacrificam suas vidas pelos seus países. Vale a pena?

Skinheads, ultranacionalistas e extremistas religiosos sacrificam suas almas em nome de seus falsos ideais. Vale a pena?

E aqueles que sacrificam suas próprias existências para os mais necessitados de amor, de comida, de teto e/ou de educação? Vale a pena esquecer de si mesmo?

Vale a pena sofrer para satisfazer alguém, por mais que esse alguém lhe seja muito querido? Vale a pena fazer os outros sofrerem, mesmo que essas pessoas sejam seus piores inimigos, para que você se sinta satisfeito?

Sinceramente, acho que cada um deve escolher as respostas por si próprios. Mas ao meu ver, um bom guia para a reflexão seria: o que é que me faz feliz? O que é que me faz dormir à noite com a consciência limpa?

Luciana B. Veit

 


 

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