Cada pessoa é dona de suas táticas pessoais de relaxamento.
O barulho do mar ou de água corrente, meditação até de dentro do carro, um vento forte que acaricia a pele, cafuné, ver a chuva cair, sentar de frente à TV com os pés sobre o puff sem fazer ou pensar em absolutamente nada (para muitos até sem mesmo compreender o que se passa na telinha), uma massagem tailandesa forte e dolorida, uma sessão calorosa de intimidades, um livro, andar descalço sobre a grama molhada. Tudo isso é muito óbvio.
No entanto, prestar atenção nas coisinhas do dia-a-dia que de fato nos proporcionam um ligeiro prazer ou um minuto longo de absoluto deleite não podem e nem deveriam ser desmerecidos. Exemplo: ver os outros trabalhando, concentrados nas atividades mais banais como empilhar papéis, esvaziar a lixeira ou descascar laranjas. Ou ainda quando os terceiros não sabem que estão sendo observados enquanto limpam janelas, ou procuram não esquecer de cantinho algum enquanto secam o carro à mão com uma flanelinha, ou com uma grande bucha ensopada com um produto qualquer para dar lustre aos pneus. Glorioso!
Fora isso, há quem goste de observar as formas das nuvens no céu, outros que ainda conseguem relaxar com o balanço do ônibus ou do metrô, quando sabem que a sua parada ainda vai demorar para chegar. Agora não há aluno que não aprecie ver o professor apagando a lousa cheia, ou dona de casa que se ocupa com outras atividades enquanto a empregada esfrega e enxágua meticulosamente o quintal.
A lista dos prazeres cotidianos não pára por aí. Estralar os dedos, reparar nos dedos dos pés e no calcanhar dos passantes ou ainda escutar o som e sentir o ventinho das páginas de um livro de mais de quinhentas páginas enquanto o folheamos são meros exemplos, mas a idéia é não se deixar estressar, já que motivo não falta.
Luciana B. Veit
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