Outro dia fui visitar a Bienal Internacional da Cerâmica, que estava se desenrolando em três cidadezinhas com tradição em cerâmica ao redor de Seul, Coréia do Sul. É claro que tive que me beliscar várias vezes para me dar conta que tamanhas obras de arte eram de cerâmica, que é um material tão frágil para se trabalhar.
Mas aí, meu grupo se deparou com o vencedor da competição. Nós ficamos de queixo caído, não pela inovação e criatividade do artista que recebeu o prêmio principal, mas justamente por ele não ter nos impressionado. Sua obra era simples, tradicional, e ao nosso ver, completamente sem graça.
– O que vocês, bando de expatriadas, entendem do assunto? – algum leitor especializado em cerâmica deve estar se perguntando.
Bom, mesmo sendo leigas no assunto, mas experts em outros, nós fazemos parte de um público. Eu, sendo artista, bem sei que o que vale é a opinião da massa, porque será ela que massageará o meu ego, e não uma meia dúzia de experts que parece não ter sensibilidade, que só visa o lucro e que custa a entender que o que o artista mais quer, é ver sua criação na boca do povo, em tópicos de discussão e eventualmente inspirando novos criadores.
O público é rei, digo sempre, inconformada com as chances perdidas de puros talentos pelo mundo afora, sendo no campo da cerâmica, da literatura, da música, da dança, entre outros, que machucados, desistem de fazer aquilo que fazem de melhor por terem sido rejeitados pelos donos do mercado.
Como o público é e será sempre quem definirá o sucesso de um artista, deveria caber a ele de oferecer uma chance de reconhecimento àquelas pessoas especiais que são postas em segundo posto.
E como faze-lo? Ora, basta que algumas cabeças brilhantes lancem websites 100% independentes e que não visam lucro algum, para dar a oportunidade aos artistas de serem julgados por aqueles que realmente entendem seu trabalho, não em termos técnicos, mas sim em termos sentimentais.
Não é através dos sentimentos que toda e qualquer obra de arte nasce? Sendo assim, nós, público e artistas, deveríamos nos rebelar contra o império dos donos do mercado e assumirmos nossos postos de capazes juízes.
Luciana B. Veit
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