Português é um belo idioma, sempre achei. Possui suas peculiaridades, seus tantos verbos irregulares o que faz o seu aprendizado para estrangeiros um pesadelo, fora suas palavras mescladas, dessas que tiveram origem em outras línguas – não necessariamente variadas do Latim.
Pena que mesmo sendo a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no lado ocidental, ainda considero pouco em comparação a outros idiomas.
O que o Wikipédia diz disso?
“O Português é primeira língua em Angola, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Moçambique.
A língua portuguesa é também a língua oficial de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial (com o Espanhol e o Francês), do Timor-Leste (com o Tétum) e de Macau (com o Chinês). É bastante falado, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo, Namíbia e Paraguai.
O português é falado por cerca de 190 milhões de pessoas na América do Sul, 16 milhões de africanos, 12 milhões de europeus, dois milhões na América do Norte e 330 mil na Ásia. Algumas comunidades cristãs falam Português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia e preservaram a língua mesmo depois de terem ficado isoladas de Portugal.”
O que eu tenho a dizer disso? Que não é bem assim. Brasileira residente na Coréia do Sul há mais de três anos fiquei tão animada de fazer as malas rumo a Macau da mesma forma que fiquei animada em visitar Portugal na época em que morava na Alemanha. Estarei mais perto de casa – pensei. Posso voltar a falar Português e quem sabe até saborear algumas delícias portuguesas que imigraram para o Brasil.
Ainda tenho Malacca na Malásia e Goa na Índia na minha lista de lugares onde se fala o Português que quero conhecer, deixando os óbvios africanos de lado e não me interessando nadinha para o que o Timor-Leste tenha a oferecer. Mas o que tenho a dizer de Macau hoje é que fiquei profundamente desapontada.
Ainda bem que combinei essa viagem com Hong Kong para levantar meus espíritos! É claro que Hong Kong ficou mais vulgar e mais relaxada desde a partida dos ingleses, (quando poucos anos mais tarde pisei lá pela primeira vez), mas ela continua fascinante e poderosa depois de tantos anos. Já Macau é uma promessa falsa.
Mesmo a imagem dela se vender como a Las Vegas da Ásia é mais do que exagerada. Está certo que Macau é o único lugar na China onde cassinos são permitidos para maiores de 21 anos (recente lei) e que seus ganhos ultrapassaram o Las Vegas Strip gerando aproximadamente 105 bilhões de HK dólares de acordo com a última sondagem, o que significa que Macau é hoje o mercado de jogos mais lucrativo do mundo. Ainda sim todos concordam que uma meia dúzia de bombásticos hotéis-cassino de Macau (como o Venetian, o Lisboa, o MGM e o Ponte 16) não podem se comparar à glória de Vegas.
Sem esses hotéis, Macau é uma cidade triste e mal cuidada. Nem mesmo a belíssima torre da TV em forma de uma rosa (de onde um maluco atrás do outro pula no esquema de bumpy-jumping) salva a imagem geral.
Pude contar no dedo o número de originais casinhas coloniais portuguesas que vi e fora elas, fui parar num local bonitinho construído para turistas chamado Fisherman’s Wharf, uma espécie de Disneyland portuguesa, com casinhas de mentirinha para enganar os desapontados.
Pelo menos uma coisa foi original, batendo com aquilo que havia imaginado encontrar: a comida. É realmente de se lamber o prato. Bacalhau preparado de diversas maneiras, pães doces, diversos outros pratos carregados no alho, deliciosas safras de vinho tinto, enfim, tudo com muito sabor e qualidade. Nisso os habitantes de Macau pensaram.
Mas o que esse meu relato tem a ver com a língua portuguesa? Ora, que apesar de se achar que por lá se fala ou pelo menos se entende Português é uma farsa. Nadinha de nada, o que me deixou bastante confusa pelo fato do nome das ruas e dos estabelecimentos ainda serem em Português. Como pode um povo nascer e crescer numa cidade onde se vê o Português escrito por todos os lados e não se interessar em aprender nada?
Quando falava algo na minha língua-mãe e ninguém me entendia, até achava que eles poderiam não estar acostumados com o sotaque do Brasil, mas logo depois me dei conta que isso era uma bobagem. Português é Português, e os filminhos dos museus provaram que o meu não era tão irreconhecível assim. O que presenciei ali foi uma genuína ignorância por parte dos chineses. Falta de interesse mesmo.
Agora ainda falta confirmar se alguns indianos e alguns “malays” entendem mesmo nosso idioma. Será? Ou será uma outra farsa, um outro mito wikipediano?
Luciana B. Veit
No related Chronicles.
Tags: cultura, Hong Kong, Macau, viagens
enviando...