Ramadan, Maghrib.
Após o pôr do sol, é quando a pulsante e dinâmica Dubai desperta. Durante o sagrado mês de devoção dos muçulmanos e respeito ainda maior por parte dos visitantes, é onde pode-se viver a experiência mais autêntica do sonho das mil e uma noites.
O céu está literalmente nas mãos do criador. Quando é que pinceladas laranja, lilás e rosa em um céu amarelo e azul claro rouba toda a atenção das pessoas que não encontram tempo nem mesmo para conversar com os filhos em casa? Em Dubai, um momento desse não é ignorado, mas sim louvado.
A chamada para a reza sempre é um momento mágico, não só pela sua melodia divina espalhada por toda a cidade, provocando um forte sentimento de paz e harmonia com o Universo em qualquer um que possa ouvi-la, mas também é um momento mágico pela interação íntima e ao mesmo tempo coletânea dos muçulmanos, que procuram entrar em contato com a voz íntima que transmite esperança e força.
Finalmente a lua crescente reina absoluta no céu claro e estrelado. Os grandes e modernos prédios espelhados refletem as tradicionais tendas de frente às espaçosas casas claras e de tons naturais, refletem a festa de luzes dos enfeites das ruas e também a alegria dos devotos por terem conseguido controlar seus instintos, por estarem ajudando suas famílias e os necessitados de alguma forma, e seguramente por estarem degustando um colossal banquete, regado a muita tâmara, suco de limão com hortelã, pão sírio, patês, carne de carneiro e doces.
O comércio reabre oferecendo centenas de brindes e prêmios, os restaurantes organizam menus especiais, as dançarinas da dança-do-ventre se maquiam e vestem suas fantasias, os turistas não sabem o que fotografar primeiro, mas as mornas ondas do mar do Golfo Pérsico mantém seu ritmo.
À beira do braço do mar, ou Khor, onde a cidade de Dubai nasceu, as gaivotas se perdem entre as cúpulas das mesquitas, as abras que são estreitos táxi aquáticos movimentam as águas e as embarcações comerciais que vem e vão para o subcontinente indiano e até o sudeste asiático completam a vista.
Apesar de todas as coisas que a cidade tenha para oferecer, só há um lugar onde seu coração bata desvairadamente, e esse lugar é e só pode ser no Souq. Corredores à meia-luz, coloridos e perfumados pelos seus temperos e pelo cheiro adocicado de shisha (cachimbo d’água), vendedores animados e atentos, a música da língua árabe integrada com os idiomas de cada alma presente, o cheiro e choro dos vendedores de tapetes enrolando-os e desenrolando-os, o orgulho do cliente que acabara de comprar ouro ou um outro que estuda sua melhor tática para barganhar uma peça exageradamente preciosa com o joalheiro. Espelhos, baús, incensos, perfumes, tecidos, pinturas à óleo… Enfim, uma infinidade de ítens tradicionais que só podem ser encontrados nos bazares da Arábia.
Uma parada para um refresco com os nativos é obrigatória e bem-vinda. Chá de maçã e música fazem parte do cardápio.
E para terminar a noite que parece não ter fim meio aos sons, cores, degustações, fragrância e calor, a somente poucos quilômetros de Dubai são as majestosas dunas e o silêncio absoluto do deserto que me acolhem até o sol nascer.
Luciana B. Veit
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