O impasse acabou, voltei de férias, terminei mais um livro, estou trabalhando no meu próximo e agora estou pronta para recomeçar tudo do zero, literalmente, já que é isso o que acontece toda vez quando mudo de país.
Conhecendo o destino, mesmo antes de chegar lá, já estou procurando me informar ao máximo sobre o lugar, pessoas, hábitos, cozinha, passeios, escola, moradia, seja através de livros ou graças à internet.
Aquele deliciosa inquietação voltou à minha mente. Já não penso em outra coisa. Tento me familiarizar com o mapa da cidade, mesmo sem nunca ter colocado os pés nela, penso estrategicamente no esquema do dia-a-dia assim que deixar meu filho na escola, onde ele será obrigado a dominar uma terceira língua, e desvio meus pensamentos das inevitáveis dificuldades que serei obrigada a enfrentar no início, não por ingenuidade, mas para não estragar esse meu momento de pura excitação.
Mergulharei de cabeça no aprendizado dessa nova língua, tão diferente das outras que já aprendi, e darei o meu melhor para decifrar as entrelinhas de um povo que não é nada óbvio.
Irei apoiar meu marido e meu filho nos primeiros meses da fase de adaptação e esperarei ser apoiada por eles também, já que levando uma vida de expatriado, os laços de família são mais fortes, por conta da ausência de amigos e de parentes e principalmente por conta de todas as maiores ou menores aventuras que vivemos juntos.
Me sinto como se o mundo me pertencesse. E me pertence de fato, e também pertence a todos aqueles dispostos a se deixarem levar pelo desconhecido. O que será, será.
Luciana B. Veit
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