No Programa: Viagem

Malas, ViagensQuem já viajou pelo menos uma vez na de carro, de ônibus, de trem, de avião, de bicicleta ou de pau-de-arara sabe: uma viagem começa bem antes da data marcada. Na escolha do destino, na compra dos bilhetes, na reserva da acomodação e no planejamento financeiro.

É claro que hoje em dia é cada vez mais habitual partir num desses roteiros de último minuto – conhecidos mundialmente por “Last Minute”. Geralmente jovens e viajantes “de bagagem” (e não ) são aqueles que embarcam nessa porque são abertos a qualquer tipo de experiência e não possuem uma lista de lugares que desejam conhecer antes de morrer.

Mas “Last Minute” à parte, a forma mais convencional ainda é aquela planejadinha, bonitinha, sem espaço para mudanças de última hora. Dentro dessa categoria, independentemente do fator financeiro, diria que existem três ramificações: a dos medrosos, a dos desorganizados e a dos organizados.

Todas as ramificações possuem suas vantagens e desvantagens – como tudo mais nessa vida – mas ainda sim posso dizer que pertenço à somente uma delas. Mas qual?

Bom, a categoria dos turistas medrosos enquadra estudantes menores de 18 anos que partem em excursão escolar, velhinhas e velhinhos que sofrem de dor nas pernas e já não podem bater uma cidade à pé. Ela também enquadra os medrosos mesmo, esses que não tem motivo algum para partirem em excursão e mesmo assim o fazem (talvez pelo fato de não dominarem nenhum idioma estrangeiro – se tratando do exterior).

A vantagem desse grupo é que as más-surpresas ao longo da viagem não minimalizadas e eles não precisam de preocupar com nenhum tipo de organização, nem mesmo na escolha do local onde irão jantar (e comida e bebida que irão experimentar), mas somente em seguir a programação feita e estudada por terceiros.

A desvantagem desse grupo é clara demais: onde está o espírito de viagem? Que raio de turista é esse que só se interessa em tirar foto na frente de grandes patrimônios mundiais, fazer compra de souvenires de plástico, sem se importar como anda a sociedade atual desse lugar e no que ele se transformou ao longo dos anos e séculos, mesmo em lugares como as ilhas Maldivas que aparentemente não possuem cultura alguma.

E tem mais ainda: por mais que amemos nossa terra natal, não deveríamos fechar os olhos para o fato de que existem outras belezas, talvez ainda muito mais bonitas que as nossas pelo globo afora. Mas ainda assim esse tipo de turista volta para casa dizendo que não há lugar mais lindo no planeta do que o seu próprio bairro.

Já a categoria dos desorganizados é assim: eles confiam 100% no fechamento do pacote de transporte mais acomodação da agência de viagem, mas não gostam de excursões. Dois dias antes do embarque perdem o cartão de crédito e se dão conta que o passaporte está vencido, mas acabam dando um jeito e vão assim mesmo. Não compram guias de viagem com antecedência e no dia seguinte após o café da manhã às onze horas já no local por eles escolhido, é que resolvem o que irão fazer: andar por aí com um mapinha na mão só para acharem o hotel na volta.

Não sabem dizer quais são os pontos imperdíveis da cidade e nem o nome dos patrimônios, mas sabem dar a dica de um restaurantezinho bacana que faz uma comida caseira e barata que descobriram por acaso.

Vantagem de ser desorganizado: não ser um típico turista e experienciar uma cidade pelo o que ela é. Se perder como viajante e se achar como pessoa.

Desvantagem: se tocar só de volta em casa que aquele prédio redondo em ruínas no meio daquela avenida larga era o Coliseu…

E a categoria organizada? Ah! Essa aí é culta. Conhece o nome das principais ruas da cidade que quer conhecer mesmo antes de chegar lá. Estuda fervorosamente o mapa e o guia turístico com meses de antecedência. Prepara no computador com atenção os detalhes do decorrer de cada dia: quantos minutos para cada museu, qual o prato regional pedirá no almoço e os itens que não pode deixar de comprar, como por exemplo rede de renda de Natal ou cristal da Boêmia. Esse viajante também se arrisca a falar alguma coisa na língua local.

Sua vantagem é de voltar para casa com a sensação de não ter perdido seu tempo e de ter aprendido um monte de coisa nova.

Agora sua desvantagem é de não ter relaxado nas merecidas férias, de talvez não ter perdido 30 preciosos minutos do seu dia em um Café de rua só observando as pessoas indo e vindo, inalando assim a alma da cidade.

Só para finalizar: medroso, desorganizado ou organizado, feliz é aquele que viaja. Nisso todo mundo concorda.

Luciana B. Veit


 

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