O Hóspede Ideal

quartos de hotel, cama, árabeVivendo em diversos países, expatriados tendem a receber amigos internacionais e familiares em suas casas por um período determinado (graças a Deus).

Façamos agora uma análise dos estereótipos deles:

Existe aquele que quando chega em sua casa confere se todas as paredes estão pintadinhas, os móveis limpinhos, a comida fresca e absolutamente elaborada, fala pouco e ainda aguarda por escrito um programa cultural que os anfitriões pensarem durante semanas a fio com consideração e máxima atenção. Paga somente pelas suas despesas pessoais, como entradas para museus e refeições nos restaurantes.

Tem aquele que quando chega em sua casa leva a palavra “férias” bem a sério. Não arruma nem a cama onde dormiu, te mostra onde deixou suas roupas sujas, não acha que deve ajudar na cozinha, escolhe o programa cultural a dedo sem levar em consideração como fará para chegar lá e acha que o anfitrião deve pagar por todas as suas despesas.

Agora já o próximo estereotipo é aquele que não quer dar trabalho. Arruma a cama dele e a sua, pendura sua roupa lavada, inclusive as suas peças mais íntimas, sugere o menu do jantar, paga suas despesas pessoais e te convida com freqüência para restaurantes e teatro. O problema é que por se achar o dono do jogo, começa a querer dar palpite no seu jeito de fazer as coisas, diz que escuta música demais e até tenta se apossar do controle remoto da televisão.

Também tem aquele que se auto convida e que viaja com a família toda, inclusive sogra, tio-avô e animais domésticos. Se a casa vai ficar cheio e barulhenta demais? Quem se importa? O importante é a família unida. Esses daí querem fazer absolutamente tudo junto. O anfitrião não tem espaço nem para se deitar na banheira à noite porque o convidado vai achar que eles também deveriam estar juntos, curtindo cada instante da reunião familiar ao máximo. Privacidade é uma palavra que eles não conhecem. E toda e qualquer decisão, mesma essa sendo a mais banal de todas como qual prato devo escolher no restaurante, tem que ser discutido em família.

E o naturalista? Anda com a toalha enrolada nos quadris pingando água pelo chão (achando que já está fazendo demais por se cobrir), não come carne, não usa sapato de couro e só senta e inclusive dorme no chão, não usa pasta de dente e nem desodorante. Não reprime os filhos pequenos por tocarem os seus móveis e os seus objetos de arte com as mãos meladas de suco ou de chocolate e nem quando pulam no seu sofá, porque está orgulhoso demais da energia que eles tem para dar e vender. É claro que ele não vê o seu desespero com medo de ver as mesmas preciosas crianças fazendo descontroladamente as necessidades biológicas no seu tapete persa, pelo fato de andarem peladinhas o tempo todo. Programas culturais? Para que? Eles só querem filosofar sobre sentimentos e curtir a natureza, fazendo passeios no bosque, comendo ao ar livre, curtindo o momento sem stress e esquecendo do tempo, inclusive do seu. Eles não se preocupam em pagar nada porque acham que a natureza oferece tudo de graça.

Ainda existe mais um estereotipo de hóspede, talvez o pior de todos, que é aquele que cospe no prato que comeu, falando mal de você e da sua cidade depois que voltou para sua rotina, sem se importar ao mínimo com o esforço que você teve para recebe-lo.

Por isso pergunto: para você, qual é o hóspede ideal? A opção “nenhuma das alternativas citadas acima” também vale…

Luciana B. Veit

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