Somente moradores (de nascença ou não) de megalópoles se divertem com piadas de estressados, se sentem seguros na multidão, tem medo da tranqüilidade do campo, não sabem de verdade o que significa curtir a natureza, não sabem nome de pássaros e nem de plantas mas dão aquela dica de ouro sobre uma quebrada que vende os melhores pastéis do país ou sobre uma lojinha única que acabou de abrir numa travessa praticamente invisível de uma grande avenida.
Nós, megalopenses, não temos receio de sair pelo mundo e nem de subir em um ônibus sem saber onde ele vai parar. Nós desconfiamos de tudo e de todos e isso nos mantém de pé. Nós somos obrigados a lidar diariamente com inúmeros riscos que um morador de vilarejo nem tem em seu dicionário e ainda os tiramos de letra. Nós somos criativos e tentamos tirar o melhor proveito de cada situação, mesmo se isso for de dentro do carro parados num trânsito que parece não ter fim.
Erramos e acertamos, caímos e nos levantamos, mas ainda ninguém parece se lembrar nessa selva de faces sem nomes. Hoje estamos no topo e no pior dos casos amanhã a caminho dele de novo.
Megalopenses entendem que não pertencem somente à uma cidade, porém a um complexo muito, mas muito maior que isso. Nós não nos sentimos mal por estarmos desacompanhados para almoçarmos, para jantarmos ou para irmos ao cinema por exemplo na sessão das nove da manhã ou da meia-noite porque certamente não seremos os primeiros, os últimos e provavelmente nem os únicos a fazerem como tal.
Compreendemos e exercitamos com excelência a função do anonimato, mas devo dizer que do mesmo jeito que vibramos com ele, uma vez ou outra lamentamos sua soberania.
Sei que cidadãos de pequenas cidades vivem suas vidinhas assim ou assado e que se dizem felizes assim, mas por maior que seja meu respeito para com vocês moradores de cidadezinhas insignificantes, a verdade é que ninguém sabe se sentir mais vivo como um megalopense, dada sua capacidade de compreender através de sua arte a alma dos problemas e soluções de sua megalópole.
O megalopense não pertence à uma cidade, porém a cidade e o mundo todo lhe pertencem.
Somente moradores (de nascença ou não) de megalópoles se divertem com piadas de estressados, se sentem seguros na multidão, tem medo da tranqüilidade do campo, não sabem de verdade o que significa curtir a natureza, não sabem nome de pássaros e nem de plantas mas dão aquela dica de ouro sobre uma quebrada que vende os melhores pastéis do país ou sobre uma lojinha única que acabou de abrir numa travessa praticamente invisível de uma grande avenida.
Nós, megalopenses, não temos receio de sair pelo mundo e nem de subir em um ônibus sem saber onde ele vai parar. Nós desconfiamos de tudo e de todos e isso nos mantém de pé. Nós somos obrigados a lidar diariamente com inúmeros riscos que um morador de vilarejo nem tem em seu dicionário e ainda os tiramos de letra. Nós somos criativos e tentamos tirar o melhor proveito de cada situação, mesmo se isso for de dentro do carro parados num trânsito que parece não ter fim.
Erramos e acertamos, caímos e nos levantamos, mas ainda ninguém parece se lembrar nessa selva de faces sem nomes. Hoje estamos no topo e no pior dos casos amanhã a caminho dele de novo.
Megalopenses entendem que não pertencem somente à uma cidade, porém a um complexo muito, mas muito maior que isso. Nós não nos sentimos mal por estarmos desacompanhados para almoçarmos, para jantarmos ou para irmos ao cinema por exemplo na sessão das nove da manhã ou da meia-noite porque certamente não seremos os primeiros, os últimos e provavelmente nem os únicos a fazerem como tal.
Compreendemos e exercitamos com excelência a função do anonimato, mas devo dizer que do mesmo jeito que vibramos com ele, uma vez ou outra lamentamos sua soberania.
Sei que cidadãos de pequenas cidades vivem suas vidinhas assim ou assado e que se dizem felizes assim, mas por maior que seja meu respeito para com vocês moradores de cidadezinhas insignificantes, a verdade é que ninguém sabe se sentir mais vivo como um megalopense, dada sua capacidade de compreender através de sua arte a alma dos problemas e soluções de sua megalópole.
O megalopense não pertence à uma cidade, porém a cidade e o mundo todo lhe pertencem.
Luciana B. Veit