Atenção aos Sinais!

Crânio, Esqueleto, MortePor mais rotineiras que as tragédias – naturais ou causadas pelo homem – tenham se tornado pelo mundo afora, não nos cansamos de nos chocar com elas.

Sentimos pelas vítimas, nos emocionamos com as histórias dos sobreviventes, choramos por dentro, nos revoltamos com os lentos processos de ajuda e na hora H, quando poderíamos nos tornar um número a mais das boas almas em missão na Terra, resolvemos virar o rosto para o outro lado.

Mas não é para apontar dedos que resolvi escrever esse texto hoje, mesmo porque acho que eu também poderia estar fazendo mais pela humanidade. No entanto, deveres sociais e espirituais à parte, me pergunto como a mãe de uma criança vítima de terremoto, soterrada por tijolos numa cidadezinha chinesa por exemplo, se sente agora.

Miserável, quebrada por dentro, desesperada, vazia – sem dúvida. E revoltada? Será que ela não está procurando alguém ou algo para culpar a sua insubstituível perda? Com receio de culpar uma “Força Maior” por ter recolhido a criança de volta para si, a tal mãe então culpa a construção vagabunda do prédio escolar e culpa a falta de aviso dos cientistas que “devem” possuir uma máquina milagrosa que diz com exatidão quando o próximo terremoto vai causar estragos. Ela também culpa o trabalho lerdo das equipes de resgate, culpa a noite, culpa a chuva, culpa o sol, se culpa por não ter sentido nada de extra-sensorial antes de ter deixado a criança sair de casa pela manhã, já que esse “é” um dever de mãe, o de ser vidente no que diz respeito aos filhos.

E sem saber o que mais poderia culpar, a mãe culpa os sinais ignorados que os animais e que a natureza deram em abundância pouco antes da tragédia ocorrer: onda de sapos invadindo sem precedência uma cidade da região abalada, lago quase seco em questão de dias, elefantes recuando (como foi o caso dos que levavam turistas para passear nas praias de Phuket minutos antes do Tsunami de 2004), uma energia estranha no ar, um mau pressentimento, um sonho, uma frase de um filme qualquer que sem motivo aparente não sai da cabeça, enfim, exemplos aqui são quase infinitos.

Mas a questão é: quando é que devemos levar esses sinais a sério e tomar as devidas precauções?

Não mais pegar o táxi para o aeroporto depois de ter tido que voltar por ter esquecido o passaporte? Trancar seu filho em casa durante um dia inteiro após um sonho ruim? Ou talvez correr ao mercado e comprar galões de água potável e comida enlatada de montão por conta do comportamento estranho que seu cachorro ou gato tem tido ultimamente?

A verdade é que ninguém pode responder tais questões por ninguém. Cada um tem um relacionamento diferente com a sua mais íntima sensibilidade.

Será que somente aquele que está acostumado a “consultá-la” é que deveria dar ouvidos para os sinais? E se ele estiver errado nem que seja pela primeira vez? E se sua segurança de se conhecer a fundo cegar os verdadeiros avisos por conta da arrogância? E se o rei absoluto do raciocínio for presenteado com uma premonição, assim do nada? Deve confiar nela, como um novo jogador de pôquer confia na sorte de iniciante?

Talvez sim, talvez não. Mas eu pessoalmente prefiro confiar naquilo que meu umbigo me diz e até dar um eventual passo em falso do que me arrepender mais tarde. Foi como aquela vítima de seqüestro na Áustria que durou 8 anos contou: “segundo antes dele (o seqüestrador) ter me pego com força, eu andava pela calçada e senti um sentimento estranho em relação aquela van branca estacionada. Se só tivesse atravessado a rua como a vozinha no meu ouvido aconselhou…”

Seriamente acho que se levássemos os sinais, os avisos que não podem ser explicados mais a sério, talvez até poderíamos evitar algumas tragédias.

Luciana B. Veit

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