A Morte Física: Última Etapa do Ciclo da Vida

morte, esqueleto, crânioO acidente aéreo da Tam que matou centenas e chocou o mundo semana passada nos trouxe mais uma vez um pouco mais próximos da idéia da morte.

Sim, o fulano X ou Y poderia ter embarcado naquele vôo, sim, a vizinha da cicrana resolveu esperar no farol vermelho de madrugada, quando suas amigas no carro ao lado não o fizeram e morreram instantaneamente em um acidente cruzando aquele farol fechado e sim, aquele rapaz novinho escapou mais uma vez da morte quando foi levado às pressas, graças aos companheiros do vício, para o hospital mais próximo por conta de overdose de .

Acidentes mortais chocam o ser humano, mas os seres mais espirituais acabam tendo mais facilidade de aceitar quadros dramáticos como o acidente da Tam, porque acreditam que qualquer pessoa tem data e hora certa para morrer.

Já quando uma velhinha cega e surda de 88 anos deixa essa para outra, ninguém se surpreende, por mais que tenhamos dificuldade para compreender o ciclo da , que por sua vez inclui a morte.

E quanto aos suicidas? Aqueles que pulam de uma ponte ou de um prédio alto ou que cortam os pulsos na banheira? Eles não são os únicos, porque ao meu ver, suicidas também são aqueles que não dão valor à vida, se matando indiretamente nos vícios ou se arriscando estupidamente quando em momentos-chave, quando poderiam ter agido de uma maneira mais racional.

Como explicar para uma criança a fase final do ciclo da vida, quando ela não termina necessariamente com a idade avançada? Mesmo se tratando da morte do bichinho de estimação da família, a morte traz consigo sentimentos desconfortáveis. Mesmo para aqueles que tiveram a alegria de não perder ninguém de mais próximo ainda, basta olhar uma foto ou um quadro antigo, ou pensar nas civilizações que nos precederam: todos eles já deixaram este plano espiritual, tendo desaparecido do nosso planeta, e para a maioria, caindo em esquecimento.

Uma vez estava em uma festa da empresa do meu marido. Um colega dele me perguntou:

- O que você faz da vida?

- Eu vivo, mas para ser mais específica em termos profissionais, já que é o que deseja saber, eu sou escritora.

- Ah! Você vê, colega! – ele diz ao meu marido. – Sua esposa até pode entrar para a história, mas nós, quem se lembrará da gente, dos pobres vendedores de automóveis?

Engraçado, pensei, porque nada nesta vida garante que não cairemos no esquecimento, o que na verdade é mais provável do que qualquer outra coisa na vida (com pouquíssimas exceções), mesmo se formos no planeta Terra – pessoas sem ideais e sem objetivos – ou trabalhadores, realizadores ou talvez ainda sonhadores.

Mas não estava pensando na idéia de eternidade hoje, mas sim na da morte por conta do lembrete do acidente da Tam que qualquer dia pode ser o nosso dia, e que se assim tiver que ser, teremos que estar espiritualmente preparados para aceitar os fatos, por mais injustos que eles possam parecer.

Mas até o nosso dia chegar para fazermos parte de uma inteira que faleceu, visto dos olhos de uma criança no ano de 2150, temos a obrigação de viver a vida de cabeça erguida, com muito amor e sem arrependimentos, por que não sabemos se merecemos uma segunda chance de passar por aqui.

Luciana B. Veit


 

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