“Sleeveface” é uma espécie de fotografia quando a pessoa fotografada pega a capa de um antigo LP onde o artista só aparece com a cabeça e dá continuidade com o seu corpo, usando as mesmas cores da roupa e fazendo provavelmente as mesmas poses do cantor ou da cantora.
E para que? Para que o mortal se sinta na pele de uma celebridade do dia para noite.
É claro que nesse contexto estar no papel de uma celebridade não é muito levada a sério, e sim na brincadeira (e na maioria das vezes até na gozação).
Mas é fato que muitas pessoas sonham com a fama, imaginando-se distribuindo autógrafos, ou se escondendo dos paparazzi nas ruas. A fama traz consigo um círculo de gente bonita, sem dizer rica. Injusto é que quanto mais influente e rica a pessoa é, menos ela gasta.
É convidada para festas e jantares, viagens ao exterior e passeios nacionais de helicóptero ou yacht. Essa famosa até ganha cachês de vez em quando para fazer aparições com os minutos contados em eventos públicos e ainda usa jóias emprestadas dos próprios joalheiros. Como se fosse pouco, torna-se musa de grandes estilistas e recebe alguns milhões de Euros só para endossar campanhas publicitárias.
Como anda o coração? Ora, quem se importa? O importante é sempre ter uma senhora companhia a tira-colo para qualquer saída. Os fotógrafos se encarregarão de escrever o relatório.
O famoso tem essa áurea especial em volta de si, como um ímã. Atrai pessoas mesmo nos momentos que ele tanto gostaria de poder ser normal de novo; poder ir ao cinema sem disfarce, comer em uma pizzaria no sábado à noite sem histeria, passear no calçadão da praia ou na 5th Avenue sem literalmente parar o transito.
Quando era adolescente também sonhava em ser famosa como a Cindy Lauper ou como a Brooke Shields, mas hoje sei o quanto prezo a minha liberdade. Amo viver em cidade grande por conta da anonimidade. Encontro-me com amigos quando sinto vontade e não tenho obrigação de ir ao super-mercado 100% produzida só para o paparazzo não bater uma foto feia minha.
O mais engraçado é que já tive tantas oportunidades de encontrar muita gente famosa na minha vida e toda vez que encarei com eles, foram raríssimas as vezes que vi alguma graça. Não sei se é porque sou mais alta do que a maioria, mas que a verdade seja dita: esses famosos não passam de seres-humanos com forças e fraquezas, com mudança de humor, com cheiro natural de pele (ou camuflada por perfumes caros), com certezas e incertezas, com medo e bravura, com sede e fome e também com necessidades biológicas.
Antes de você imaginar a perfeição do endeusado ator X, do talentoso cantor Y ou daquele carismático político de enorme peso internacional, lembre-se que todos eles cortam as unhas dos pés e se aliviam nos toaletes diversas vezes ao dia.
Mozart já dizia algo parecido na segunda metade do século XVIII: “Conhecer o Papa pessoalmente na Itália foi legal, mas no fim ele não passa de uma pessoa de carne e osso”.
Acho que o que mais nos fascina nos famosos é o mistério de como eles nos fascinam.
De mortal a celebridade. De celebridade a imortal. Será?
Bom, a história diz que nem sempre é assim…
Luciana B. Veit
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