Quando é o momento certo para a libertação?

PortaQuando é a hora de olhar para dentro de si e finalmente esquecer do mundo? Quando é a hora de gritar: Cheeeeeeeega! ? Quando é a hora de quebrar as correntes e arrebentar os cadeados dos nossos instintos? Quando é a hora de apagar as chamas do nosso peito? Quando é a hora de assumir nossos valores?

É incrível como , solidão e egoísmo sejam palavras tão interligadas.

Nos olhos de terceiros aquele que é único só pode ser infeliz e egoísta. Ele é sozinho porque não deve valer muita coisa. Mas será que eles já se perguntarem se a decisão foi deliberadamente tomada pela própria pessoa?

O caminho da liberdade é um caminho solitário, porque é nesse caminho que a pessoa se dá conta que sua lhe pertence. Suas experiências são suas e suas lembranças são seu maior tesouro. Esta pessoa não tem medo do desconhecido porque não tem nada a perder, e cada vez que se depara de frente ao precipício, ou a um cruzamento, é aquela decisão de meio segundo que a coloca no caminho certo, ou errado; mas neste caso não haverão arrependimentos.

O solitário às vezes chora. Sente falta do calor humano, de uma pessoa que possa confiar a sua vida, mas então se pergunta se é decente colocar tamanha responsabilidade nas mãos desse alguém tão especial. Ele ainda tem fé que sim. Se dá a chance. Resolve ficar na mesma cidade por mais de trinta dias e tentar plantar raízes, mas percebe rápido demais que os habitantes daquela cidade se acham no direito de controlar sua vida.

Ter relacionamentos é isso? Ser forçado a negar sua natureza e seus instintos somente para fazerem os outros sorrirem e para responder a interrogatórios? Comer na hora certa, ler o que todo mundo está lendo, criticar sem compreender os fatos à fundo, se movimentar como se tudo estivesse sido coreografado? E o solitário, ele está sorrindo agora?

Por que pensamos saber o que é melhor na vida dos amigos, familiares e meros conhecidos? Ora, porque criticar é muito mais fácil do que se olhar no espelho e encarar os próprios medos e infelicidades.

A sujeita que atura o marido por medo de se libertar e viver seus sonhos diz que agora que tudo se ajeitou, não jogará sua felicidade fora. Felicidade?

- Quem garante que as mudanças serão sempre positivas? – se pergunta.

A não ser que dê um passo maior que a perna, nunca saberá.

A confiança, a amizade, mas acima de tudo o respeito para com a natureza do ser humano é o que constitui o verdadeiro amor. Quando encontrarmos tais qualidades em uma pessoa, saberemos que ele/ela foram feitos para nós.

O caminho da felicidade é o caminho da libertação de si. As idéias são livres, logo é o homem que as possui. No entanto, ser livre significa ser mal-compreendido, pois ele nada contra a corrente.

São os livres de coração e pensamentos, aqueles que respeitam a si mesmos e aos outros, que no fim da vida olham para trás e sorriem. Suas vidas não foram desperdiçadas. No entanto, a liberdade precisa primeiramente ser conquistada.

Luciana B. Veit

 

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