Em breve serão anunciadas as novas sete maravilhas do mundo. É claro que participei desse evento histórico, votando pelas minhas maravilhas preferidas online, mas devo admitir que fiquei bastante desapontada por não ter visto na lista oficial alguns dos monumentos que mais me impressionaram pelos países pelos quais já passei. Em revanche, também não compreendi como outros monumentos conseguiram fazer parte da lista.
Não é nada pessoal, bem pelo contrário, já que adoro o Rio de Janeiro, Nova Iorque e Paris, mas acho que se falando das maravilhas do mundo, o Cristo Redentor, a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel não mereciam estar na corrida. Elas são, sem dúvida, símbolos marcantes, mas nenhuma maravilha, se pensarmos nas Pirâmides de Giza ou em Angkor Wat no Camboja.
Por isso, resolvi publicar a minha escolha das Sete Maravilhas do Mundo x 2, que tive a oportunidade de ver de perto e não somente de olhar a foto e imaginar que lindo seria, sendo elas construções e também belezas naturais.
A lista seguinte não dispõe nem de primeiro e nem de último lugar, porque todos de alguma forma, me impressionaram de uma maneira diferente:
Templo Wat Phra Kaeo – Bangkok, Tailândia.
O templo do Buda de Esmeralda tira o fôlego pelo conjunto de vários templos em um só, pelos seus detalhes, pelas suas figuras, pelo seu cheiro de incenso e pelos fiéis que ignoram os turistas boquiabertos para fazerem suas oferendas.
Pirâmide de Saqqara – deserto do Sahara, Egito.
O que faz das pirâmides de Giza tão perfeitas é sem dúvida sua simetria, sua altura e a vista geral do conjunto delas. No entanto, a pirâmide de Saqqara, a mais antiga do Egito, que servia de necrópoles da antiga capital, Memphis, impressiona não pelo complexo freudiano de tamanho e poder, mas sim pelo charme de seus degraus. Uma vista em tanto para quem vem do deserto.
Catedral de São Basílio – Moscou, Rússia.
Para quem vem da rua Tverskaia na capital russa e vê as cúpulas coloridas da catedral de São Basílio de longe, pensa estar tendo uma miragem. Mas quando se entra na Praça Vermelha do lado do Museu da História, ali reina a beleza em si. Essa catedral emociona até os russos mais brutos. No inverno, quando está coberta de neve, a catedral de São Basílio lembra um bolo caprichado de confeitaria que foi feito para impressionar. No seu interior, a catedral dispõe de vários cantinhos isolados, duas pequenas salas para oração (e nenhum banco para sentar) e duas lojinhas de souvenir. Acredito que 99% dos visitantes da catedral saem dela desapontados, porque seu exterior de sonhos não combina com a simplicidade de seu interior.
Catedral de Hagia Sophia – Istambul, Turquia.
A dona da capital turca é uma bombástica construção de cor rosada e de uma estável cúpula negra, rodeada por quatro minaretes e ainda vizinha da Grande Mesquita Azul. Hagia Sophia merece o respeito que tem por já ter sido tanto uma igreja ortodoxa quanto a mesquita principal dos otomanos, e principalmente por nunca ter sucumbido aos freqüentes terremotos da região. Hoje, Hagia Sophia é um grande e interessante museu.
Castelo de Neuschwanstein – Bavária, Alemanha.
Construído por Ludwig II para homenagear seu ídolo, Richard Wagner, Neuschwanstein é o símbolo daquele castelo com o qual qualquer criança ou romântico sonha. Está explicado da onde veio a inspiração para o castelo da Bela Adormecida de Walt Disney? Como a Catedral de São Basílio, Neuschwanstein é bombástico por fora, mas simples até demais por dentro, pelo fato de não ter sido terminado de acordo com os planos de seu rei, que foi preso no próprio castelo por ter sido considerado louco. Como eu estive lá no outono, ainda me maravilhei com a natureza colorida em volta do castelo e não peguei nenhuma fila gigantesca para entrar nele.
Palácio de Changdeokgung, Seul, Coréia do Sul.
É aqui que a paz, a harmonia e a serenidade residem. Dono de uma beleza impressionante e de jardins mais belos do que o de Éden, no Iêmen, Changdeokgung sabe o significado da palavra preservação e tradição orientais bem demais. Turistas só entram em grupos e com guias. Quem não fala Inglês, Chinês, Japonês ou Coreano deveria se informar sobre o local antes de ir, por mais que os guias se esforcem em pelo menos cumprimentar seus visitantes em vários idiomas.
Palácio de Versailles, França.
Esse palácio precisa de pouca introdução por ter sido imitado por no mínimo dezenas de outros palácios e castelos, que por mais que se esforcem, jamais terão o esplendor de seus corredores, a história viva de suas paredes e seus jardins simétricos. Ele é de fato impressionante, porque até as mães e pais são obrigados a engolir o fato do palácio de Versailles não gostar de crianças visitantes, principalmente aquelas de carrinho, mas sua beleza ofusca qualquer dificuldade de visitação. Uma maravilha!
Quanto à belezas naturais, aqui as minhas eleitas:
Ilhas Maldivas.
Imaginem um país de milhares de ilhotas, na maioria delas desabitadas, onde pode-se andar em volta de uma delas em vinte ou trinta minutos… Ou ainda onde as pessoas, principalmente brasileiros, passam a entender que o mar é azul, e não verde, e que a beleza dos corais, dos peixes coloridos, das grandes raias, tartarugas marinhas, golfinhos e tubarões é do jeito que deveria ser: praticamente intocada, mesmo nas ilhas-hotéis. Acha que já viu isso no Caribe ou no litoral pernambucano? Não viu, não! O sentimento de isolação do mundo perdido em pleno paraíso só pode ser vivido nas Ilhas Maldivas.
Ilha de Zanzibar, Tanzânia.
A filha muçulmana da Tanzânia já impressionaria unicamente pela cidade de Stone Town, por conta de seus traços mais árabes do que africanos, mas com a alegria e calor de seus habitantes locais. No entanto, o que realmente deixa alguém de boca aberta são suas praias de areia branca (e não bege) e suas águas variando da cor verde-água claro até o azul turquesa, dependendo da profundidade do mar. Zanzibar seria uma Seychelles mais primitiva (com exceção dos poucos resorts de luxo), porém muito mais interessante.
Cratera e Parque Nacional Ngorongoro, Tanzânia.
Outro orgulho nacional é essa gigantesca cratera, que atrai milhões de animais em seu habitat natural. Esqueça Kruegger Park na África do Sul ou os populares (e mais baratos) parques nacionais do Quênia, porque a cratera de Ngorongoro não tem concorrentes. Lá, os animais correndo soltos deixam de ser a atração principal.
Deserto do Quarteirão Vazio, Sharjah, Emirados Árabes Unidos.
O pôr do sol, o silêncio, o céu estrelado, as enormes dunas de areia avermelhadas e ocasionalmente um camelo aqui ou lá, isso quando os nativos não resolvem se divertir com seus carrões 4×4, rasgando o sossego do último local do universo onde uma pessoa que procura a si mesmo é forçada a lembrar que a civilização está logo ali, mesmo parecendo estar tão afastada.
Lago Königssee, Bavária, Alemanha.
O lago é um dos mais profundos da Europa, de cor literalmente verde-esmeralda, rodeado pelos paredões dos Alpes Austríacos próximo a vilarejos charmosos, daqueles que lembram cidades de bonecas, onde tudo parece ser perfeito: o sorriso genuíno de seus habitantes, as flores nos balcões dos chalés alpinos, as vacas com seus sinos e a comida fresca, como se sua mãe fosse alemã e tivesse acabado de prepara-la para você. O Königssee não é como qualquer outro lago alpino, mas um inigualável espetáculo da natureza.
Parque Nacional Ras Mohammad, Sinai, Egito.
Você entraria nas águas do Mar Vermelho para se maravilhar com as riquezas aquáticas da região se ele estivesse lotado de água-viva? Se estivesse em Ras Mohammad, garanto que o faria, porque eu o fiz – está certo que se tratava de água-viva de cor lilás (que não queima)… O contraste das montanhas do Sinai de cor bege, como o deserto da península, com o tom mais brilhante de azul claro que se pode imaginar, cria esse show para poucos verem, já que o número de turistas por dia é regulado, ao contrário de seus vizinhos Sharm el Sheikh ou Dahab. Com um litoral assim, não me surpreendo que Deus tenha escolhido o Sinai para ditar os 10 Testamentos.
Vale dos Reis e das Rainhas, Luxor, Egito.
Luxor em si já é uma lição de vida, de civilização, mas somente quando se está na outra margem do Nilo, é quando nos sentimos pequenos e insignificantes, apesar de nossa moderna tecnologia e algum conhecimento do passado e do presente desse mundo. Assim que o visitante se agachar para entrar na primeira tumba, seja ela nos vale dos reis ou das rainhas, entenderá instantaneamente que a nossa vidinha de hoje não é nada comparado com a eternidade, com o ouro lado da vida. Independente da religião, no vale dos reis e das rainhas é quando abraçamos a idéia de eternidade, e as tumbas são obras de arte e aulas de história, sociologia e filosofia em uma.
Para terminar, gostaria ainda de mencionar minhas avenidas/ruas preferidas das grandes cidades pelo mundo afora, aquelas que oferecem mais do que lojas e restaurantes transados, aquelas que são o que são sem definição: Champs Elysées em Paris, Avenida Paulista em São Paulo, Graben em Viena, Orchard Road em Cingapura, Quinta Avenida em Nova Iorque, Sheikh Zayed Road em Dubai e finalmente a Queens Road, em Hong Kong.
Cigana de alma, apesar de já ter visto muita coisa sei que ainda nada vi e que a cada nova jornada irei descobrir uma nova maravilha do mundo. Espero não ser a única a ter a certeza que por mais que ame meu país natal, sei perfeitamente reconhecer as mais diversas maravilhas pelos quatro cantos do nosso planeta – NOSSO, da grande família chamada HUMANIDADE.
Não deixem de conferir: A próxima lista das Minhas Sete Maravilhas do Mundo x 2 sai daqui 2.200 anos.
Luciana B. Veit
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