Que o mundo está cada vez menor por conta das altas taxas de imigração, internet e mídia, já não é mais novidade.
No entanto, o que continua me chocando é a insensibilidade de muitos que se negam a compreender que por mais que estejamos a caminho da globalização, temos como dever preservar nossas tradições e culturas, a fim de mantermos nossa identidade, porém executado dentro de nossos lares.
Grande maioria dos expatriados, sejam executivos, diplomatas, refugiados, militares, estudantes ou mão-de-obra barata procuram trazer sua terra natal consigo, suas crenças, seus hábitos culturais, religiosos ou alimentares seja para lá onde forem, o que até este ponto não há nada de errado, mas quando esquecem que sua primeira obrigação como convidado de um terceiro país é de tentar se adaptar, cometem um grave erro.
O expatriado muitas vezes se depara com a questão de identidade: – Se mergulhar de cabeça nesta cultura por mim tão desconhecida, estarei traindo meus valores?
A resposta é não! Já que dentro de casa cada um é e deveria ser livre para viver sua vida da forma como bem entende, mas uma vez na rua, são os costumes do país anfitrião que devem ser respeitados. A cultura e os valores trazidos de outros-mares não devem ser jamais impostos.
Quem acha que o mundo todo deveria ter churrascarias, campos de baseball, geladeiras de kimchi, ou ainda se vestir vulgarmente, comer, beber e fumar em um país árabe durante ramadan, não deveria jamais sair de casa. Quem está no exterior, está de braços abertos para novas descobertas, novos sabores, novas doutrinas e racionais percepções gerais.
Por este e outros motivos, a Europa, os Estados Unidos e até os Emirados Árabes Unidos – conhecidos mundialmente por tolerarem verdadeiramente os costumes estrangeiros – estão questionando com um novo tom a imigração. Não se trata unicamente das muçulmanas, que se negam a tirar seus véus em público em países onde a maioria não exerce a doutrina islâmica, mas também estrangeiros que nem procuram estudar o idioma, ou seja, a ponte de comunicação para a rotina e a compreensão e finalmente, a tolerância.
Quando pessoas normais, que jamais tiveram pensamentos extremistas dizem que toda a questão da imigração deve ser repensada, não lhes tiro o direito. Quando um continente como a Europa, que há muito tempo vem educando seu povo a respeitar os homossexuais e a ter liberdade incondicional de expressão, se sente brecada artisticamente e socialmente para assim não machucar os valores de seus convidados, deveria sim ter todo o apoio de sua sociedade para negar a cidadania ou visto de residência para aqueles que insistem em querer mudar as raízes, sobre as quais eles foram educados. Estão certos quando elevam a voz para estes falsos conquistadores. Imaginem receber alguém para jantar em casa, quando o convidado reorganiza a ordem dos pratos e ainda joga pimenta na panela, porque é assim que ele está acostumado a comer em seu lar.
Mostre algum respeito! Aonde vamos parar?
Quem não tem como intenção aprender, se adaptar socialmente e aceitar que a humanidade é diversa, que os deuses são muitos e que as regras e leis são feitas de acordo com a história e cultura de cada local, deveria seriamente repensar a expatriação.
Luciana B. Veit
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