A agente imobiliária não sabia exatamente como deveria reagir a questão de sua eventual mais nova cliente nesse frio e chuvoso fim de tarde de outono. Ela deixou seus óculos redondos pendurados na ponta do nariz enquanto tomava notas em seu caderninho e virou levemente sua cabeça para o lado, como um sinal de incômodo. Não disse uma só palavra.
- Não pense que sou louca – disse a mais nova inquilina desta mansão antiga, porém recém-reformada em um minúsculo vilarejo alemão, onde o próximo supermercado ficava a 25 quilômetros de distância.
Mas então a inquilina insistiu, ainda parada na sacada da casa, onde provavelmente moraria até morrer: – Acho que vou reformular minha questão. É bem simples: quero saber se já houve algum assassinato, estupro, desentendimentos contínuos, discussões aterrorizantes dessas que até os vitrais tremem, exorcismo ou assombração nessa casa. Ah sim, ainda desejo saber se o terreno sobre o qual esta casa está construída já foi algum cemitério um dia.
Percebendo que o assunto era de maior importância para a suposta nova inquilina, a agente finalmente respondeu: – Mas que bobagem. Nada disso aconteceu aqui. É uma excelente casa e o fato dela estar, uh, digamos em oferta, é simplesmente porque o vilarejo é quieto demais para o gosto da maioria das pessoas. Após sua tragédia pessoal…
A agente quis continuar a falar, mas foi brecada pelo bom senso, já que melhor do que muita gente, sabia que os poucos vizinhos deveriam estar acompanhando esta conversa de longe.
- Por que não entramos, querida? – ela sugeriu. – Está ficando frio, não é? – disse, sorrindo nervosamente.
O céu estava escuro, coberto por nuvens pretas e pesadas que prometiam uma longa noite, que poderia ser aconchegante de frente a uma lareira, ou amedrontadora, se o aquecimento não estivesse funcionando.
- Acho que não! – respondeu a inquilina sem cerimônias, num tom bastante irritado. – Não é possível que saiba de todos os detalhes de todas as casas de coração.
Mas quem estava começando a se irritar era a agente: – Moro neste vilarejo desde que nasci, ou seja, há 45 anos. Portanto conheço o passado desta casa. A única coisa de bizarro que venho notando ao longo dos anos é que ninguém reside mais do que alguns meses. Para isso, os ex-inquilinos tinham uma desculpa mais original do que outra, mas certamente nada de natureza maléfica, se é que me entende.
- De qualquer forma ficaria mais tranqüila de assinar o contrato daqui dois dias se tivesse uma confirmação escrita, da paróquia local e da polícia.
Com os ossos tremendo e os dedos das mãos duros de frio, a agente finalmente concordou: – Está certo. Como queira. Irei providenciar o que quer para podermos fechar logo o negócio legalmente, já que os primeiros dois meses já estão pagos, não é?
Ela se despediu e se apressou para abrir a porta de seu carro. Um VW vermelho pré-histórico e pequeno, mas que ainda dava conta do recado. Em poucos instantes ela já teria desaparecido.
As primeiras gotas de chuva começaram a cair e ainda parada na sacada de casa, a inquilina sentiu a grosseria do vento. Ela olhou em sua volta, não viu e nem escutou ninguém, mas ainda sim sentiu-se observada. Com os braços cruzados, esfregou-os um no outro e correu para o seu carro, também um modelo pequeno, porém mais moderno, azul marinho. Ela abriu o porta-malas e retirou de dentro uma mala com poucas trocas de roupa e um cesto de palha de supermercado com algo para comer: pão integral, manteiga, café, chá, biscoitos, queijo, vinho tinto e chocolates.
A inquilina finalmente respirou fundo e girou a chave na porta da casa. Assim que empurrou a porta, percebeu que ela estava um pouco emperrada. “Devo consertar isso o mais rápido possível.”
Antes de fechar a porta atrás de si, a inquilina notou que a noite havia caído. Ela ascendeu a luz do longo corredor, depositou sua mala no chão e caminhou em direção a cozinha. A decisão de largar tudo e se esconder nesse vilarejo tinha sido de seu marido, pouco antes de falecer. Também tinha sido ele quem havia feito a seleção de imóveis. A inquilina estava ocupada demais em arrumar um quarto descente num dormitório de universidade para a filha única e de pedir demissão no consultório de terapia, onde trabalhava como assistente, apesar de seu diploma em psicologia. Lá, ela havia inúmeras vezes escutado os relatos dos pacientes pelo buraco da porta: suas fobias, suas idéias fixas em diversos tópicos e suas desesperanças.
Mas a maneira brutal de como seu marido havia sido assassinado em plena luz do dia havia colocado em questão a sua fé.
O bule elétrico apitou e a inquilina voltou a realidade. Se presenteou com uma reconfortante xícara de chá e se apoiou na mesa da cozinha. Ela chorou. Gritou. Jogou a xícara de chá para longe, quebrando-a, e de repente sentiu uma mão sobre seu ombro, enquanto o catarro de seu resfriado se misturava com as lágrimas espalhados em seu rosto. Ela gelou. Ficou imóvel durante um instante, mas decidiu que tinha que tentar entender. Poderia ser seu marido, que havia acompanhado-a o caminho todo até lá, para se certificar que ela não mudaria de planos?
A inquilina parou de chorar, enxugou o rosto e assoprou o nariz. Colocou as mexas do seu cabelo castanho e oleosos atrás das orelhas e respirou fundo. Sentiu um frio intenso e percebeu que era hora de acender a lareira. Já que a mão invisível não tinha se manifestado uma segunda vez, a inquilina acreditou ter imaginado tudo.
Na sala, ela retirou os lençóis brancos empoeirados de cima do jogo de sofá e amontuou-os no chão. Preferiu não abrir as cortinas nesta noite. Logo encontrou a lenha e um acendedor próprio. Na primeira tentativa o acendedor não funcionou. Segunda e terceira tentativas também não. No entanto na quarta tentativa a inquilina teve êxito. O fogo acendeu uma lenha e logo a inquilina virou as costas. De repente ela sentiu a mesma estranha presença. Assim que se virou de volta para a lareira, seu coração parou um instante: a chama pareceu ter uma feição humana, alguém que abria e fechava a boca, como se estivesse tentando dizer algo. A inquilina ficou pálida e imóvel, mas a chama não cessava. Se tratava de um recado importante.
- Quer me dizer algo? – ela perguntou a chama.
Sem prévio aviso, uma sombra em forma de vento gelado se jogou por cima da chama e ela apagou-se.
A inquilina se negava a acreditar no que tinha acabado de ver. Claramente havia uma presença ali. Ela que custou a acreditar em fenômenos sobrenaturais, se convenceu de que haviam de fatos energias e acontecimentos que não podiam ser provados pela ciência, quando surpreendeu sua filha adolescente gozando de uma tarde mística em sua casa, ao lado de suas duas melhores amigas, uma queniana e uma boliviana que também moravam na capital do estado. Elas estavam fazendo perguntas a algum espírito brincalhão e por terem sido surpreendidas pela mãe, não puderam terminar o jogo do copo de acordo com as regras. Na verdade o copo voou e quebrou-se. A mãe ficou furiosa e neste instante deu-se início o ciclo de coisas muito estranhas que viriam a acontecer, como velas que quando acesas apagavam-se e ligavam-se sozinhas, vasos de tetos de balançavam de lá para cá e uma série de tombos que no início até geraram boas gargalhadas, mas que com o passar do tempo passaram a ter menos graça. Até a família passou a discutir sem motivos. Um certo dia, após um outro bate-boca com a mãe, sua filha achou que fosse uma boa idéia trazer um padre para benzer a casa. Exausta para começar mais uma discussão, a mãe dela concordou e não voltou a perguntar se o padre teria de fato visitado a casa.
Passado seis meses desde o acontecimento, a inquilina teria enterrado seu marido, mandado a filha para a universidade e estaria sozinha em uma casa que ainda não tinha providenciado-lhe segurança. Além do mais, a inquilina torcia cada vez que escutava um paciente contar seus dramas ao terapeuta, para que ele pudesse ter um pouco mais de crédito e não ser logo taxado com o nome de alguma doença mental, já que ouvir vozes sussurrando no ouvido e não se sentir sozinho, por mais que assim o estivesse fisicamente, não eram fatos que deveriam ser mal-interpretados.
De frente a lareira após o acontecido, a inquilina não desistiu. Voltou a ascende-la e observou-a cuidadosamente. Dessa vez não viu feição humana alguma. Ela então trouxe da cozinha a garrafa de vinho, um baguete inteiro e um generoso pedaço de queijo cortado em triângulo. Comeu, bebeu até demais e desmaiou no sofá de frente ao fogo. Estava fisicamente exausta da viagem e emocionalmente pedindo socorro.
Horas mais tarde, exatamente às três horas da madrugada, a inquilina abre seus olhos. O fogo havia apagado-se e ela se encontrava numa escuridão total. A luz do corredor que havia deixado ligada, havia apagado-se. A inquilina abriu as cortinas para que alguma luz da rua pudesse entrar pela janela, mas a lua não estava visível e o próximo poste de luz se encontrava a muitos metros de sua casa. A inquilina estava sentindo muito frio. Ela resolveu que uma ducha demorada poderia reaquece-la.
Ela então custou a encontrar uma vela na cozinha, mas não pode conter seu estado de alívio, que por mais que esta vela já tinha sido usada, não deixava de ser uma vela. A inquilina segurou a vela em uma mão, e na outra sua mala. Subiu as escadas confiando no seu tato, e faltando um degrau para terminar a escadaria, a inquilina direcionou seus olhos para a vela, que tinha sua chama apontando como um dedo indicador o faz, em direção ao banheiro. De susto, a inquilina deixou sua mala cair, mas foi cuidadosa o suficiente para colocar a vela sobre a pia do banheiro. Voltou para apanhar sua mala no escuro e escutou seu próprio coração disparado, agitado.
Uma vez no banheiro, a inquilina estudou as quatro paredes minuciosamente e não encontrou pista alguma de que algo estava errado. De qualquer forma, ela não considerou o evento da lareira como imaginação, não depois que sentiu uma mão sobre seu ombro. A inquilina fez como planejado e ligou o chuveiro. Pelo menos isso estava funcionando. Na verdade a ducha estava quente até demais, mas a inquilina até achou bom para aquecer seus ossos gelados. De dentro da cabine a inquilina podia ver através da pequena janela embaçada os galhos das árvores se mexendo do lado de fora, por conta do vento forte. No entanto, entre um abrir e fechar de olhos debaixo da água, a inquilina notou claramente a mesma feição da lareira em forma de galhos de árvores, vindo e indo em direção a janela do banheiro. Seu coração palpitou fortemente e a inquilina abriu a cortina, sem se importar em se enrolar na toalha. Pingando, ela se depara com uma mensagem no espelho embaçado, no entanto a mensagem estava escrita de trás para frente. Com a ajuda do espelho, ela lê:
Lembre-se da ponte.
Foi aí que a inquilina percebeu que era de fato seu marido quem estava tentando se comunicar com ela. Mas por que somente agora, justamente nesta casa? Por que ele não tinha se manifestado antes?
“Eu não teria compreendido”, reflete a inquilina. “Mas agora eu entendo. Se ele não está usando todas as palavras é porque não está autorizado. Eu não posso me apavorar. Essa seria minha sentença de morte.”
A inquilina resolve jogar um joguinho, do qual não estava certa se teria algum êxito. Se enxuga, se veste com a mesma roupa que tinha chegado na casa, porém com um agasalho a mais e desce as escadas. Nota que havia uma porta logo ao lado do lavado que só poderia dar para o porão – isso se podia confiar em sua memória da primeira e única vez em que tinha dado uma olhada no desenho da casa – e diz em voz alta: – O que estiver escondido ou enterrado lá, não será eu quem trará o tópico à luz do dia.
Se borrando de medo, porém ainda decidida para assim honrar a inexplicável morte horrenda de seu marido, a inquilina continua falando, enquanto segurava a vela: – Nós iremos passar esta noite juntos. Serei sua convidada e por isso mereço ser bem tratada.
De repente as luzes se ascendem. Todas elas, e não somente a luz do corredor que a inquilina tinha deixado ligada. “Está dando certo”, ela pensou.
“Mas mesmo sendo sua convidada por esta noite, me sinto no dever de te proporcionar algum prazer, por isso, se me permitir, vou colocar um daqueles discos de vinil no aparelho de som, vou preparar duas xícaras de chá e vou servir biscoitos e chocolate. Amanhã estarei bem longe. Não vim aqui para desvendar mistério algum.” E assim ela o fez.
Em todos os instantes a inquilina sentiu uma presença desagradável, mas procurou se lembrar do que seu marido havia escrito no espelho. Quando resolveu seguir adiante com os planos do falecido marido, a inquilina quis assim honrar sua memória, realizar os planos que fizeram juntos de recomeçar a vida longe do stress e frieza da cidade grande, assim que a filha saísse de casa. Mas então, a inquilina começou a juntar os fatos e chegou à uma terrível conclusão: foi a casa que matou seu marido.
Como é que alguém é empurrado para dentro dos trilhos instantes antes do trem passar, quando esta pessoa não é fisicamente diferente dos outros, excluindo assim um crime racial, ou ainda quando esta pessoa não possui inimigos aparentes. Por que? Na confusão, não houve testemunhas e ainda neste preciso instante, as câmaras de segurança falham. Coincidência? Não tinha sido o marido que tinha escolhido a casa? Não era o marido a pessoa que percebia em um milésimo de segundo que algo estava errado, sempre farejando coisas no ar? Uma vez nesta casa, ele certamente chegaria a alguma conclusão que deveria ficar enterrada para sempre.
Mesmo sentido-se um tanto revoltada, a inquilina se lembrou das palavras que só poderiam ter sido do marido e agüentou firme. As horas passaram como se fossem meses e ela não conseguia se livrar desse mal-estar.
Minutos antes do sol nascer, a inquilina colocou os lençóis de volta sobre os sofás, fechou as cortinas da maneira de como tinha encontrado-as, juntou suas coisas, mas resolveu deixar os biscoitos e o chocolate sobre o pratinho de porcelana.
Enquanto tremia de medo já que a hora da verdade se aproximava, a inquilina agradeceu pela noite em voz alta para a presença que reinava na casa e bateu a porta atrás de si. Correu para seu carro sem olhar para trás e pisou fundo no acelerador. Nada mais importava agora, mas que tinha não só reconhecido, mas também seguido as dicas de seu falecido marido. Deus sabe qual o destino que a inquilina teria encontrado se não tivesse confiado no seu sexto sentido e se não tivesse reconhecido os sinais.
- Nem todo o mistério deve ser revelado! – disse a inquilina em voz alta, perdida em seus pensamentos.
- Como disse? – perguntou a garçonete enquanto servia o café e um sanduíche de pão preto e presunto defumado.
De volta a realidade, a inquilina respondeu: – Nem todo o mistério deve ser revelado!
A garçonete sorriu educadamente e logo saiu de perto, certa de que a primeira cliente do dia deste confortável restaurante-motel de estrada era uma lunática.
De volta ao carro, antes de ligar o motor, a inquilina se lembrou do episódio da ponte. Um certo dia, ela e seu marido resolveram caminhar em uma das várias montanhas de Garmisch-Partenkirchen, nos Alpes alemães. Essa era a viagem de lua-de-mel deles. Escolheram um atalho bastante conhecido e estavam maravilhados com a paisagem. Na subida em um caminho de um metro de largura que dava para o precipício, eles passaram por pequenos riachos que se tornavam quedas d`água, capelas minúsculas, vacas e bois, folhagens típicas da região e uma vista inigualável. No entanto, para alcançar o típico restaurante-cafeteria na estação média da montanha, eles tiveram que fazer uma escolha. Virar à direita, em um caminho que iria obriga-los a descer alguns metros para poderem continuar subindo, ou arriscar suas vidas atravessando uma ponte de madeira que portava um sinal de morte, por seu estado estar muito precário, mas que daria diretamente ao restaurante-cafeteria.
Sem discussão alguma, o casal optou pelo caminho mais longo, mas instantes antes de virarem à direita, notam que uma das duas irmãs gêmeas, loiras de cabelos longos de no máximo quinze anos que estava de frente à eles, insistia para atravessar a ponte. Sua irmã tentou brecá-la, mas foi xingada de covarde e chata. Para provar à sua irmã que era mais forte do que ela imaginava, resolveu conceder. Elas deram-se as mãos, deram o primeiro passo, o segundo passo, o terceiro passo, o quarto passo, e faltando três passos para terem alcançarem o lado oposto, a ponte racha no meio, se parte e as duas meninas caem no precipício. Isso tudo de frente a inquilina e ao seu marido.
O terror reinou. Os pais das garotas que estavam sem fôlego, dando o melhor de si para subirem a montanha, gritaram de desespero. O público se ajuntou, mas não havia mais nada que podiam fazer. A inquilina e seu marido deram seus depoimentos e ainda tiveram que ouvir que a culpa tinha sido deles, por não terem tido tentado breca-las. A inquilina e seu marido se entreolharam em dúvida até que um padre, que por coincidência gostava de passear nas montanhas, disse: – Cada um escolhe seu destino. Existem sinais e avisos por toda parte, mas cabe a cada um de nós decifra-los. Neste caso a mensagem foi clara, tenha paciência e não se precipite. A morte pode estar a um passo de nós.
Daí a confusão foi geral: os pais das meninas piraram e a grande parte dos curiosos não concordaram com o padre, dizendo que isso não tinha passado de um acidente. Mas a verdade é que os sinais estavam claros.
- Por que? Por que? São duas crianças, meu Deus… – gritava a mãe das gêmeas.
E mais uma vez o padre ousou abrir a boca: – Nem todo o mistério deve ser revelado!
Em estado de choque a inquilina e seu marido resolveram voltar para o chalé ao invés de continuar a caminhada. Horas mais tarde o tempo fechou e a primeira avalanche da temporada fez sete vitimas sem prévio-aviso no caminho que eles poderiam ter continuado, senão tivessem resolvido voltar.
A inquilina voltou a realidade com a buzina de um carro que tentava estacionar ao seu lado, mas que a porta aberta de seu carro estava impedindo. Ela então esfregou as mãos, acenou para o motorista ao lado, fechou a porta, ligou o carro e resolveu seguir sentido norte.
Passados três dias, à beira do rio Elba, mais precisamente em Hamburgo, o telefone celular da inquilina toca, enquanto ela aguardava o vendedor de peixes embrulhar seu jantar neste belíssimo fim de tarde. Era a primeira vez que ela se sentia bem desde a morte de seu marido.
- Alô!
- Meu Deus! Achei que estivesse morta! – disse a voz da agente imobiliária da casa em questão. – Bati à porta diversas vezes nos últimos dias e como não obtive resposta, comecei a me preocupar. Chamei a polícia e forçamos a porta da entrada. Não encontramos nada mais do que um pratinho de porcelana sobre a mesa com farelos de biscoitos e chocolates. Mais nada. À propósito, andei me informando e descobri que…
- Não diga nada! Já não quero mais saber. A única coisa que preciso informar é que já não tenho mais interesse algum na casa.
- Mas…
- Minha decisão é final. Espero que não me leve à mal. E não se preocupe, porque não vou fazer questão de reembolsar o dinheiro do aluguel pago adiantado. Agora eu tenho que ir.
- Se sua decisão é final, o que posso dizer? Só acho que a informação que tinha para lhe dar poderia ser de grande interesse – diz a agente um tanto desapontada. – De qualquer forma, gostaria que soubesse que tinha razão.
Um silêncio se seguiu.
- Como disse, preciso desligar agora. Desejo-te boa sorte nos negócios.
- Obrigada. E Feliz Dia das Bruxas!
Luciana B. Veit
No related Chronicles.
Tags: em casa, terror, tragédias, vida
enviando...