Viagens constantes a lugares famosos e exóticos, aprendizado de línguas estrangeiras, contato com diversos povos, além do conforto que a firma oferece a aquele que ela está mandando para longe. Tudo isso e um pouco mais se enquadra na vida de um expatriado, só que esse é o lado bonito, o lado que todo mundo quer ouvir (ou nem todo mundo, por simplesmente não poder agüentar tanta inveja no peito).
O fato de deixar a terra natal para outros mares modifica o ser humano brutalmente, já que todo lugar deixa as suas marcas. Não que isso seja negativo, mas é um fato. Os entes queridos e amigos que ficaram, passam com os anos, a não compreender mais o que se passa na cabeça do expatriado, que só sabe contar de suas aventuras sem parecer se importar com a luta rotineira daqueles, que por um motivo ou outro, não mudaram radicalmente suas vidas.
De repente o comportamento do expatriado já não é mais o mesmo de quando ele deixou seu país: ele passa a ver o mundo com outros olhos, a se expressar de outra forma e também aprende a se guardar mais, porque percebe que suas peripécias pelos quatro cantos do planeta já não causam furor na boca dos conhecidos. Bem pelo contrário, ele percebe que poucos são aqueles que se interessam verdadeiramente.
Só que como resultado desse afastamento subjetivo, forçado, o expatriado ainda é obrigado a ouvir ocasionalmente que ele não se importa mais com aqueles que ficaram, o que não corresponde à verdade (pelo menos se tratando dos mais chegados). Os sobrinhos crescem, primos se casam, novos membros da família nascem e para aquele que está longe, esses são acontecimentos importantes na vida de cada um, mas não na sua, não porque ele seja frio, mas porque a distância impede que ele faça parte de tudo isso.
Viver com a família imediata num país estrangeiro, sem amigos verdadeiros, são fatos literalmente ignorados por aqueles que só acham que a vida de um expatriado é 100% Jet-Set. Só que quando um se dá verdadeiramente bem no exterior, curtindo a vida, agradecendo a Deus diariamente pela sorte, é visto como desertor no país de origem, porque ele percebe que o seu país não é o único no planeta presenteado por riquezas naturais, belas paisagens e pessoas interessantes.
Vida de expatriado certamente é marcada por contínuo aprendizado e contínua prova de resistência, só que também é uma vida que não é compreendida por terceiros, porque como mencionei antes, viver como nômade modifica as pessoas e nem todos conseguem entender isso, se negando a ver que as pessoas progridem.
Então, o que ainda há para ser dito, é o que cada um tem em seu coração, aquilo que carrega em seu peito é o que vale, porque se a sua natureza já não é mesmo compreendida, para que se descabelar, para tentar fazer os outros entenderem a complexidade da alma nômade?
Luciana B. Veit
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