“École des Femmes” do machão (ou brincalhão) Jean Baptiste Poquelin, mais conhecido por Molière, teve sua première datada em 1662. De acordo com a peça, a noiva perfeita é aquela que passa alguma parte da infância e a maioria parte da adolescência no convento. Ela sairá de lá virgem e boazinha e principalmente pronta para obedecer o marido assim que se casar. Será?
Na ópera “Cosi fan Tutti” de 1790, Wolfgang Amadeus Mozart e Lorenzo da Ponte acreditavam que todas as mulheres (principalmente as casadas) eram igualmente infiéis de corpo ou mente, caso oportunidades irrecusáveis lhe cruzassem o caminho.
Já no Quênia hoje, uma mulher resolveu abrir uma espécie de escola para ensinar as mulheres nativas a se tornarem melhores esposas, no caso, melhores amantes, porque de acordo com a diretora do programa “fazer amor é uma cerimônia”. E por que tal escola? Porque para a maioria dos quenianos as mulheres não tem necessidade de aprender nada sobre sexualidade, já que o prazer não foi criado para elas mesmo.
No Reino Unido uma escola de futuras esposas oferece cursos atuais com a duração de um mês onde diversos tópicos relacionados à função da “rainha do lar” serão discutidos. Esses tópicos vão da importância sobre o cuidado pessoal (saúde, higiene e vaidade), da etiqueta social (andar, sentar, falar, cumprimentar e receber convidados corretamente), danças de salão até a técnicas avançadas na cozinha.
Mas os britânicos não estão sozinhos nessa, porque o Instituto de Etiqueta e Sabedoria (conhecido localmente por Yejiwon) em Seul, Coréia do Sul, ensina que uma mulher só pode colocar a mão direita sobre a esquerda e não o contrário, e que ela tampouco pode deixar o futuro marido segurar sua mão logo de cara, mas sim somente após a terceira tentativa. Elas também aprendem em quais ocasiões podem servir o macarrão comprido e que jamais podem dizer aos maridos o que eles tem que fazer, nem mesmo se isso for do tipo: “Alô? Querido? Antes de chegar em casa do trabalho, poderia trazer pão e leite?”
As jovens sul-coreanas apesar da modernidade, acreditam que exista a necessidade de mais proteção a tradição, e é por isso que escolas como a Yejiwon não precisam contar as moscas. Agora as estrangeiras casadas com sul-coreanos que não agüentarem a barra de regra para isso e para aquilo, podem correr para Myeongrak Village, um abrigo que cuida de estrangeiras que resolveram largar dos maridos coreanos.
E para quem ainda não leu o “guia da boa esposa” que tem sido espalhado pela internet, aqui um tira-gosto:
“Dê um jeito para que o jantar esteja pronto, é uma forma de lhe dizer que você pensou nele e que você se preocupa com as necessidades dele.
(…) Reduza todos os barulhos ao mínimo. No momento que ele chegar, elimine o barulho da máquina de lavar ou do aspirador. Tente fazer as crianças ficarem calmas.
Escute-o. Deixe ele falar antes, lembre-se que os assuntos dele são mais importantes que os seus.
(…) Deixe-se guiar pelos desejos dele e não faça nada para pressionar, provocar ou estimular uma relação íntima. Se seu marido sugerir o acasalamento, aceite com humildade não esquecendo que o prazer de um homem é mais importante que o da mulher.”
Casada há mais de 10 anos eu posso dizer que tive mais dias agradáveis com meu marido do que desagradáveis, mas será que eles teriam sido 100% agradáveis se eu tivesse me matriculado numa escola de esposas ou seguido à risca o infame guia? Lembro-me que fui obrigada pelo padre da igreja onde me casei a participar de um curso pré-nupcial, mas para falar a verdade, o conteúdo sumiu da minha mente ao longo dos anos. Será que ele era óbvio demais ou completamente passado e absurdo, levando em conta a sociedade em que vivemos entre mulheres que aprenderam a se dar valor?
Não se trata de uma visão feminista, longe disso, mesmo porque às vezes me pergunto se uma mulher consegue mesmo ser uma heroína quando equilibra carreira, família, vaidade e ainda hobbies, sem que nada sofra nessa situação multi-tasking.
Mas como ia dizendo, será que o homem não teria uma companheira muito mais interessante justamente por conta das suas surpresas, das mancadas históricas, da falta de conhecimento de algumas regras e principalmente por conta da sua liberdade de pensamento? Afinal, as regras não foram feitas para serem quebradas?
Luciana B. Veit
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