Educação Suplementar

casa antigaSubir as escadas quando se deveria sair pela porta, gritar de ao invés de procurar nem respirar para não chamar a atenção, confiar no silêncio de ruas desertas ao invés de desconfiar dele, não dar a devida atenção à sinais sobrenaturais quando esses estão tentando mandar um recado, confiar no primeiro psicopata que porta um sorriso sincero.

Essas cenas não são novidade para os amantes de livros e filmes de , que se mordem de nervosismo, pulam da cadeira de susto ou ainda não se conformam com a falta de imaginação e tamanha ingenuidade de tantos personagens. Mas são aqueles que curtem a alta adrenalina que certamente se sairiam melhor numa situação de urgência, ao contrário daqueles que seriam vítimas em primeiro lugar do próprio despreparo psicológico ou até estratégico. Bem sei que em ocorrências trágicas, os se descobrem – suas fraquezas e seus poderes extra-sensoriais – mas já estar preparado para situações de cotidiana não atrapalharia ninguém.

Os que vivem em cidades grandes logo aprendem a não confiar na primeira pessoa que se oferece para levar a mala pesada, ou que presenteia um doce à uma criança. Elas também se tornam vítimas da própria neurose, sem conseguir relaxar nem mesmo ao som de alguma música calmante no conforto do carro, com medo de ser assaltado, raptado ou morto.

Mas ainda sim muitos deles não levam em consideração a pensar em um plano de fuga repentina do próprio ninho, se necessário. Quantos de nós dormem com o celular carregado logo ao lado da cama? Ou não se importam em estacionar ao lado de vans (principalmente para )? Ou ainda deixam as cortinas do apartamento abertas de noite, permitindo que os voyeurs desenvolvam alguma idéia insana com nós de protagonistas? Ou deixam seus filhos de sete ou oito anos de idade irem e virem desacompanhados para a escola, confiando na boa reputação do bairro? Mesmo ainda aqueles que se negam a identificar um olhar maldoso de um membro da ou mesmo de um padre/pastor/iman (etc. e tal) para com uma criança?

Não se trata de levar a vida sem preocupações, quando essas não estão presentes, mas mesmo vendo a beleza do mundo por detrás de cada lata de lixo, é nosso dever abrir e manter os olhos abertos.

Há quem diga que introduzir livros e filmes de suspense e ficção para não seja nada saudável, até irresponsável, mas sendo mãe, tenho o dever de fazer meu filho compreender cedo o mundo onde vive, para que ele possa curti-lo melhor.

Filmes e livros de terror não deveriam ser forçados, mas caso exista o interesse e a curiosidade por parte dos menores, jamais poderíamos negra-lhes o direito de ver o mundo feio, doente e frágil, que por vezes se esconde dos campos floridos e avenidas cheias de vida, ou que por vezes tapa os prazeres mais simples dos homens exercendo seu poder do sentimento do medo.

Aprender a confiar no sexto sentido, a identificar uma circunstância, uma má energia no ar, um olhar perturbado pode evitar que muita coisa ruim aconteça e é por isso que ainda sendo sub-cultura, filmes e livros de terror e suspense deveriam ser tratados com mais respeito, porque independentemente da qualidade, eles não deixam de ser uma educação suplementar.

Luciana B. Veit


 

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