Quando olho para fora da janela me sinto sufocada e me dá vontade de gritar por conta desse persistente inverno russo. Já é fim de março, a temperatura começa a subir um pouco, alguma neve derrete na rua, o que a transforma numa lama, mas ai de repente vem uma nova onda fria da Sibéria, trazendo consigo mais neve, o que nos obriga a perder vinte minutos de nossas preciosas vidas colocando e tirando casacos, botas, luvas, gorros e cachecóis, toda vez que tivermos que sair ou voltar para a toca.
Já está mais claro, comparado à escuridão dos meses de novembro, dezembro e janeiro, mas isso não significa que não sinta desesperadamente falta do sol. A tão conhecida Depressão de Março dos países do hemisfério norte tem seus fiéis seguidores que passam a comer, xingar e amaldiçoar demais, e a se movimentar, amar e compreender de menos.
Todos estão no ápice da impaciência e nem mesmo os preparativos das férias de Páscoa em abril consegue tirá-los mentalmente daquele estagnação e exaustão logo de início de ano. Muitos desesperados tem vergonha de admitir esses sentimentos, porque tentam se convencer que não há motivo para tanta coisa negativa, já que o ano só está começando. Só que independente do inverno não querer acabar, cada ser humano tem o seu próprio ciclo, e por isso ninguém é obrigado a se sentir fresco nesses intermináveis dias acinzentados.
Caminhada no parque, terapia de luzes, um bom filme no cinema, longas sessões de cafuné, ou uma inesquecível e romântica noite de amor massageiam a alma, mas nada melhor que a luz do sol para irradiar nossas idéias e reaquecer os nossos corações.
Luciana B. Veit
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