Além de livros, Internet, artigos de jornais e contatos com inúmeras organizações, uma das fontes que venho utilizando como pesquisa para meu próximo livro é simplesmente a participação em chats e fóruns de diversas comunidades online. Quando eu lanço um tópico referente ao assunto que venho estudando, tenho assim como conhecer centenas de opiniões de uma só vez.
No entanto, o que vem me chamando a atenção já há um bom tempo, é a maneira de como o ser humano reage quando deparado com uma verdade que não lhe agrada, sendo lá qual ela for. Por exemplo, o amor por um país onde a pessoa nunca esteve. Ela cresce lendo contos de fadas, estórias de heroísmo e bravura, imaginando pessoas sem defeitos e paisagens do outro mundo, quando na verdade fatos históricos, depoimentos de pessoas deste mundo que comeram o pão que o diabo amassou parecem não ter mais validade alguma, porque o fator negação impede que a pessoa enxergue a verdade.
Ela não enxerga a verdade não porque não seja capaz, mas sim porque ela prefere continuar acreditando naquele lugar perfeito que lhe faz sonhar. Mas aí num belo dia, quando ela poderia estar embarcando naquele avião que a levaria para o país de seus sonhos, ela inventa uma desculpa qualquer e resolve não ir, simplesmente por estar com medo de encarar a verdade. É bom poder acreditar em algum conto, não? Não, nem sempre.
A negação tem um papel extremamente presente em nossas vidas. Existem dezenas de exemplos quando o cérebro recorre ao seu velho amigo para lidar com eventos do dia-a-dia, o que nada mais é do que auto-proteção, aquela armadura invisível que usamos às vezes.
Meus pais já não são mais meus heróis, como costumavam ser na minha infância? São nada mais do que homem e mulher? Não acredito.
A celebridade X morreu em um trágico acidente. Não é possível. Ela estava vivinha até ontem!
Uma bomba explodiu no hotel onde um conhecido estava hospedado no exterior. Ah! Deve ser foto-montagem e brincadeira sem-graça do YouTube.
Você ganhou na loteria! – diz o título do e-mail. Besteira! Mais um banco de dados online desesperado atrás de novos cadastros.
A menina é abusada sexualmente pelo padastro e tio e ninguém acredita, dizendo que a imaginação de crianças e adolescentes é mesmo fértil.
A esposa resolve deixar o marido cafajeste após vinte anos de união sem um diploma universitário no bolso, sem referências e sem experiência profissional. Ela voltará daqui dois dias implorando por perdão – ele diz. Mas passados oito meses, ela anuncia que está trabalhando e em um novo relacionamento.
Acredito que negar diversas situações por reflexo seja algo natural, mas o que não podemos é querer tapar o sol com a peneira quando o assunto requer nossa lucidez e até uma certa frieza de ponto de vista, porque por mais que as emoções sejam essenciais em nossas vidas, elas podem embaçar as grandes verdades.
Luciana B. Veit
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