Mesmo com a Gripe Suína reinando solta, as aulas recomeçaram. Para as crianças brasileiras é a continuação do ano letivo, enquanto para as européias, asiáticas e as norte americanas é o início de um novo ano.
É nessa fase onde promessas são feitas. Os estudantes mais velhos pensam: vou me esforçar um pouco mais para não ter que acumular tanto stress sobre meus ombros no final. Porém se tratando das crianças mais novas, digamos da escola primária, geralmente são as mães que fazem tais promessas para os filhos.
São elas que batem boca com os professores, defendendo os filhos e filhas injustiçados. Ora faltaram-lhes uma explicação à altura – logo a culpa é do corpo docente. Ora são os próprios filhos que são gênios demais para o que está sendo ensinado em sala de aula.
Não se pode negar que realmente existem pessoas com uma inteligência fora do comum, e nesse caso as crianças deveriam sim ser encaminhadas para uma instituição especial. No entanto dizer que alguém é um gênio só porque ele é excelente em matemática enquanto é uma miséria nas demais matérias humanas, isso não prova nada.
O ser humano é diverso. Deixando os gênios de lado, uns são bons em uma coisa e outros são bons em outra.
Acontece que se você não for aquele tipo de pessoa que passará a vida trancado num laboratório qualquer, precisará de bons contatos fora do seu QI elevado. Aprender lidar com gente passou a ser mais importante do que ter as notas mais altas na escola ou na faculdade. Mesmo porque, aqui entre nós, a forma de como fomos ou somos na escola em termos de sucesso estudantil não significará muita coisa na vida adulta, a não ser que o alvo seja uma dessas faculdades pagas de elite onde todo o histórico escolar é avaliado com lupa.
É claro que o importante nessa fase de aluno, pequeno ou grande, é aprender que do nada não vem nada. Quem quiser alcançar as estrelas, deverá trabalhar muito para chegar lá, saber sempre algo a mais do que o adversário, o que nem sempre significa o sucesso garantido já que a sorte pessoal, carma ou destino são fatores que não podem ser simplesmente ignorados.
Mas voltando aos chiliques das mães de alunos, é fácil encontrar uma solução alternativa de ensino para crianças hiper inteligentes ou para crianças debilitadas (física, e não necessariamente mentalmente) quando habita-se em um país onde se fala o idioma. Agora no caso de expatriados, algo que conheço bem por já estar morando fora do Brasil há mais de 10 anos, a situação fica um pouco mais restrita.
Fora, encontra-se um número pequeno de colégios internacionais, se comparado ao número dos colégios “nativos”. Agora dentro dos colégios internacionais, onde as aulas geralmente são ministradas em Inglês, existem aqueles colégios mais generalizados onde as aulas são em Alemão, Francês ou Japonês, por exemplo. Dentro desse segmento, raros são os casos onde se tem uma variedade de escolha de estabelecimento no exterior.
E então o que fazer se você tiver um filho gênio em todas as matérias? Ele poderia pular algumas séries, como geralmente as coisas são feitas por aqui, mas a criança não se sentiria bem, porque por mais que sua inteligência seja avançada, existe uma grande diferença de comportamento social entre um moleque de 8 anos e outro de 10 anos.
E quando o sinal anuncia o fim das aulas? Felizes são aqueles que podem se ocupar num clube esportivo ou numa escola de arte, com ou sem a mãe servindo de motorista.
É claro que o chamado “time-off” é importante para qualquer aluno, que é aquele tempo onde a criança ou o adolescente possa ficar jogando conversa fora em algum chat na internet, vendo TV, jogando Nintendo, Playstation ou Wii, ou então simplesmente olhando para o teto se assim ele o desejar, mas fato é que crianças que tem todo o tempo do mundo para fazerem o que querem, acabam não fazendo suas obrigações com qualidade.
A volta às aulas é um momento onde todos voltam para a escola: pequenos, grandes e diplomados. A volta às aulas simboliza uma nova chance de mostrarmos como pais, alunos ou profissionais da educação do que somos capaz. E finalmente a volta às aulas é marcado não somente pelos sucessos ou fracassos acadêmicos de cada um, mas também é marcado por relacionamentos fora da sala de aula, acontecimentos positivos ou negativos que na maioria das vezes marcarão nossas vidas para sempre.
A cada novo reinício, as esperanças se renovam. Quem sabe meu filho mostrará que é mais inteligente do que seu último boletim? Quem sabe minha filha não aprenderá a controlar seus impulsos psicológicos dentro e fora da sala de aula, apesar de ter as notas mais altas da escola? Quem sabe aquela mãe vai deixar de pegar no meu pé, perguntando o porquê da nota baixa da redação do seu protegido? Quem sabe a diretora resolva sair da idade das pedras e implemente um novo sistema de ensino onde os próprios alunos tenham vontade, e não obrigação, de aprender? Quem sabe todos venham a se dar conta que a educação não só acontece dentro de um ambiente escolar? Quem sabe não passemos a compreender que apesar de sabermos muita coisa, nunca saberemos o suficiente?
Luciana B. Veit
No related Chronicles.
Tags: crianças, escola, professor, seres humanos
enviando...