É realmente interessante observar os hábitos dos estrangeiros.
Sentada à escrivaninha do meu apartamento em Stuttgart, observando a majestosa Torre da Televisão, os vinhedos, e os tetos oblíquos do vale dessa belíssima cidade no sul da Alemanha, reparo que a chuva que cai, me relaxa enormemente.
Daí o pintor chega ensopado, enervado, para fazer retoques na parede. Então ele faz um comentário típico de quem não está a fim de se expor demais: – Que tempo, hein!
Eu respondo: – Mesmo compreendendo que a chuva não seja lá muito prática na nossa rotina, ainda adoro vê-la e ouvi-la cair.
Ele me fita com um olhar de quem não concorda, mas não diz mais nada e começa a trabalhar. Continuando a olhar pela janela, filosofo a respeito da chuva. Nos anos em que morei em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, me divertia ao ver o quanto a chuva é venerada nessa região, por cair tão raramente. Quando isso acontece, os árabes puxam os filhos e correm para fora da onde estiverem, só para curtirem cada precioso momento dessa dádiva.
Já nas regiões não-desérticas, como na Alemanha, por exemplo, a chuva abre um canal de criatividade para os artistas, mas passa a ser uma pedra no caminho para os mais lógicos, mesmo esses estando cientes do bem que ela proporciona aos nossos pulmões e às paisagens, isso se não cair em demasia e provocar enchentes nas cidades à beira dos rios mais românticos do planeta.
Quando uma tempestade cai repentinamente, ao invés de amaldiçoá-la, deveríamos louvá-la, curtindo cada gota que desmanche o penteado, molhe o outfit, ou borre a maquiagem, já que a água é a essência da vida.
Como na maioria dos casos, sentimos falta daquilo quando passamos a não ter mais, e como o futuro do planeta está incerto, a escassez da água já não é mais um problema das sub-sociedades.
Luciana B. Veit
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