A última moda na Tailândia é morrer e ressuscitar. Calma! Eu explico.
Por 5 USD, aqueles desesperados que precisam urgentemente mudar de vida, se deitam em caixões (abertos) em um salão de um templo nos arredores de Bangcoc, fecham os olhos, aguardam um minuto e meio ao som das palavras de esperança do monge, reabrem os olhos de novo e assim que se levantam dos sombrios caixões revestidos em tecido roxo, estão libertados dos problemas antigos – ressuscitados enfim!
Mas será que o renascimento para a nova vida é tão promissor assim?
Em tempos de crises agudas – financeiras ou pessoais – o povo tende a acreditar e também a pagar mais a espera de milagres. E isso não é só coisa de brasileiro ou de africano, não. Superstição mesmo vindo de beatas é algo comum em países como a Rússia, os Estados Unidos e como vêem, até na Tailândia. Nesses casos a religião de casa não tem nenhuma influência na decisão do sujeito ir atrás de uma cartomante, macumbeira, curandeiro espiritual e até de monges-coveiros.
A desesperança chega a ser tão cruel, que passamos a levar em consideração outros meios nos quais nunca pensamos que pudéssemos precisar um dia. Mas o que esquecemos, é que para a maioria dos problemas as soluções estão nas nossas mãos e não nas mãos do além.
Sim, eu acredito no sobrenatural, eu acredito em coisas que não podemos explicar, eu as sinto inclusive, e eu acho que não custa nada pedir para “quem ou o quê estiver escutando” para me dar um empurrãozinho aqui e ali. No entanto muitos de nós tornamo-nos preguiçosos. Botamos a culpa pelo próprio fracasso direto ou indireto naquilo que não temos como explicar e isso torna-se cômodo.
É difícil bater de frente com as coisas que nos aborrecem, que não nos deixam progredir, mas se esse é o único meio, não será um ritual de dentro de um caixão, um trabalho encomendado no terreiro do bairro, ou uma cirurgia espiritual que irá resolver o problema de vez.
A nossa consciência é a maior curandeira de todas.
Temos que nos dar conta que às vezes o caminho que queremos seguir não é o caminho que foi traçado para a gente. No fundo do peito, acho que todos nós conhecemos os motivos de nossa infelicidade e sabemos exatamente o que deve ser feito.
Devo mencionar também que o ressurgimento disso e daquilo são as armas dos menos criativos, porque os mais criativos não precisam morrer para ressuscitar porque eles saberão reconhecer qual é a hora certa de virar o jogo, muito, mas muito antes de estarem com seus pés nas covas.
Agora aqueles que participam de atividades digamos, sobrenaturais, por cura curiosidade, de passagem, de turista, esses acumulam em si experiências não só de uma, mas sim de muitas vidas – passadas, presente ou futuras.
Um então brinde à tudo aquilo que não sabemos explicar e à tudo aquilo que podemos mudar! Um brinde também ao nosso renascimento, sempre que ele for necessário!
Luciana B. Veit
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