Crônicas

Quem poderia esquecer?

Korean Pagoda Com praticamente as horas contadas na Coréia do Sul, pergunto-me o que ficará dos quatro anos de residência aqui.

Eu não aprendi coreano. Tampouco taekwondo. Nem mesmo fiz um curso de culinária local. Comi muitas vezes kimchi, kimpab e bibimpab, mas recusei-me a chegar perto dos snacks mal-cheirosos de rua, tal como polvo ressecado e sopinha de lagartas, sem contar que procurar por um estabelecimento vendendo cachorro como prato principal sequer passou pela minha cabeça.

Apesar de ter viajado extensamente pela Ásia, pouco conheci as tantas cidades e regiões da Coréia do Sul, tendo passado somente pela ilha de Jeju e por cidadezinhas ao redor de Seul. Comigo é sempre assim: quando moro em um país, penso que terei tempo suficiente para conhecer isso e aquilo e que no momento o vizinho é sempre mais interessante, mas fato é que quando o vento muda, mal sobra tempo para empacotar os pertences.

Depois de todas as coisas que não fiz aqui, vocês me perguntam o que foi que eu fiz? Fora a minha dedicação à literatura (e especialmente ao teatro nos últimos 3 anos), servi de “escrava” do meu filho, de boa esposa para o meu marido e de companheira para meu cachorro, papéis que espero poder ter cumprido com grande honra, porque de mal vontade não foi.

Fora isso, posso dizer sem a mínima vergonha que curti cada momento na capital, mesmo quando xingava os descuidados motoristas de táxi no trânsito intenso, mesmo com a minha espinha gelada por conta das ameaças de um certo líder invejoso e meio maluco de um país vizinho de transformar Seul num mar de chamas, mesmo tendo que falar com os pés e mãos nas inúmeras vezes quando ninguém na rua entendia o que estava tentando dizer.

Sempre me senti especial em Seul, não só pelo fato de ser estrangeira aqui, mas pelo fato de ser bem tratada por ser uma. Que existe racismo, coreanos de duas caras, ou ainda nativos que me xingam sorrindo sabendo que nada entenderei mesmo, não procuro negar, mas posso contar nos dedos as vezes que percebi tais situações.

Após algumas experiências na minha vida em outros países onde já residi, aprendi ignorar certas situações para não me sobrecarregar com preocupações. Tal praticidade estudada e praticada (e nada natural da minha pessoa) salvou-me de grandes enxaquecas e de conversas fúteis.

Por que os coreanos agem assim e não assado? Porque sim! Se quiser, vá ler sobre o Confúcio e sobre as ocupações na península para fazer uma análise psicológica do povo (coisa que também já fiz), mas acredite que às vezes é mais fácil aceitar as coisas como elas são. É como a banana: ela é amarela com pontinhos marrons. Por que? Certamente algum expert poderá responder, mas a resposta não irá facilitar a minha vida em nada. A banana continuará do mesmo jeito.

Já que estamos falando em análise, como poderia descrever um sul-coreano hoje? Trabalhador, magro e esbelto, vaidoso, sorridente e ainda sim engolidor de tristezas (apesar de ser conhecido por ser temperamental – o italiano do Ásia), até o dia que não mais agüenta o drama e as superficialidades e se afoga no álcool ou se mata. Pode ser clichê e estar longe de ser a verdade absoluta, mas essa é a idéia geral que ficará em minha mente, o quadro que jamais poderia esquecer.

E quem poderia esquecer das ruas, lojas, restaurantes, museus e tudo mais que se possa imaginar, todos lotados em todos os dias da semana, em todos os minutos do dia? Luzes brilhantes e coloridas trazem mais vida às ruas nada mortas de uma cidade de mais de 12 milhões de habitantes. Palácios e monumentos que são um deleite para os olhos e para as lentes fotográficas. Quem poderia esquecer?

Inesquecível também é a vista da capital, por conta dos seus altos e espelhados arranha-céus em meio de construções tradicionais e de colinas coloridas, dependendo da época do ano.

O rio Han, que divide o novo centro da cidade do velho, poderia ser de maior uso recreativo e até um pouco mais romântico, mas ainda sim ele não deixa de ser um marco de Seul. A palavra Han também é prefixo de seis outros Hans que caracterizam o país: Hangeul (língua coreana), Hanbok (vestimenta coreana), Hanok (casa coreana), Hansik (comida coreana), Hanji (papel coreano) e Hanguk Eumak (música coreana). Quem poderia esquecer tantos Hans?

Já a paz e a tranqüilidade dos templos da Coréia do Sul reforçam ainda mais a estupidez da “guerra” das outras religiões. Sim, das outras, porque quem medita não precisar se dizer melhor que o outro. Não existe melhor e pior, só existe uma única paz interior.

Eletro-domésticos, smart-phones e câmeras de última geração. Carros elegantes e novos por todos os lados. Tantas linhas de metrô para deixar qualquer novato tonto. Uma mentalidade desenvolvida que não joga sujeira na rua, mesmo com a absoluta ausência de cestos de lixo. Propagandas coloridas e muitas vezes cafonas, mas sempre muito, mas muito divertidas. Cinemas, teatros e museus com excelentes programações (mas nem sempre em Inglês). O sabor apimentado da comida. As fortes tempestades do monsoon, porém como contrapartida o céu azul e o sol raiando durante o longo e gelado inverno. Quem poderia esquecer dessas e de tantas outras coisas?

Agora eu encerro o capítulo chamado “Coréia do Sul” e inicio um novo intitulado de “China”, mas esquecer da “Terra das Manhãs Calmas” seria impossível.

Dos países onde já morei fora o Brasil, da Alemanha trouxe um marido e uma nova visão de mundo. Dos Emirados Árabes Unidos um filho, um cachorro, tapetes, um livro escrito e um pouco de areia do deserto. Da Rússia dois livros escritos e várias bonecas matriushkas. E da Coréia do Sul levo comigo várias peças de teatro escritas, móveis trabalhados e coloridos, e principalmente o amor que desenvolvi pelo todo continente asiático que começou em Seul.

Vou, mas não vou, pois meu coração fica aqui. Mas mesmo não indo, indo, acho que vale dizer:

- Adeus, Coréia do Sul! E obrigada.

Luciana B. Veit

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Dando um fim nas coisas

Statue No fundo, todo mundo sabe das coisas que devem ser feitas, mas que na maioria das vezes são colocadas de lado, como dar um fim para coisas velhas, pessoas desinteressantes e sentimentos negativos que mais nada trazem às nossas vidas.

Mudança é uma grande oportunidade para tal fim. Ela é cansativa porque necessita não só de energia e paciência, mas principalmente de muita organização. Com a minha oitava mudança programada para daqui poucos dias, posso dizer que aprendi muitos truques ao longo dos anos como cigana, mas também devo admitir que muitas das coisas que deveria já ter feito há anos, só me dei conta delas agora.

Está certo que toda mãe faz questão de guardar o primeiro casaquinho, sapatinho, macacãozinho e todos os outros “inhos” dos filhos, especialmente dos primogênitos (e únicos então…), mas quando ela se dá conta que um único saco de memórias passa a ser dez sacos lotados, bom, aí é hora de esquecer que tem coração e fingir sofrer de Alzheimer, para assim separar as inutilidades (como meias surradas) das outras coisas que realmente possuem um valor emocional muito grande, como um babador com cheiro de vomito de nenê (que gracinha!). Bom, os orfanatos de Seul foram quem saíram ganhando com os “inhos” e “inhas” dispensáveis.

Outra coisa que me custou dois dias inteiros de trabalho foi jogar fora bilhetes velhos de museus e cinemas, a metade (mas só a metade) das pinturas e redações do meu filho e recibos de contas pagas anos atrás, sem contar separar revistas com importância histórica das outras que só fazem volume e estão desatualizadas mesmo. Com a internet reinando, quem se interessa em saber quem George Clooney estava namorando há 15 anos, qual era o melhor restaurante de Nova Iorque antes do 11 de setembro, as tendências do mercado financeiro antes da crise mundial ou ainda quais as dicas astrológicas para o ano de 2004?

Passamos aos filmes. Além de livros, comprar filmes é uma das minhas fraquezas, mesmo não sendo tida como gastona. Mas sinceramente, deixei de ver os mesmos filmes um milhão de vezes há anos. Então, para a alegria de muita gente, presenteei uns 50 deles e de repente a inutilidade passou a ter uma utilidade que é entreter novos espectadores.

E porcelana, então? A Ásia é a Meca da boa porcelana. É um milagre que tenha trazido para a Coréia do Sul os pratinhos mixurucas que havia comprado aqui e lá, mas para a China não os levarei comigo de novo. Minha empregada foi quem vibrou.

Falar em doar roupa velha é como dar uma facada no meu coração. Não é ingênuo eu achar que ainda poderia entrar numa calça jeans apertada da época em que eu tinha 18 anos? Pois então. A esperança é a única que morre, ou melhor, era? Além de muitas roupas não caberem mais, muitas delas viraram cafonas. Custei a tomar a decisão, mas tomei. Arrumei um saco bem grande e coloquei lá dentro parte das minhas memórias. O sapato das baladas. A blusa que estava usando quando conheci meu marido. A meia-calça que estava usando por baixo do meu vestido de noiva. Até a minha inseparável mochila de couro com a alça quebrada que rodou o mundo comigo não foi poupada.

Que todas essas coisas façam nova história! Estou até me sentindo mais leve. Será que é impressão minha, ou até o ar ficou diferente? Adeus, velharias!

Mas nem tudo é um mar de rosas. Existem coisas das quais eu não tenho planos algum de me desfazer delas. Jamais me livraria dos meus tapetes, dos meus perfumes, dos meus livros e dicionários (com exceção dos livros de receitas, mas aí entraria em conflito com os outros membros da minha família), das minhas fotos de viagens, dos meus computadores, das máscaras, enfim, a lista é grande.

O melhor de toda essa história é me dar conta de que no momento velharias e inutilidades são as únicas coisas que tenha que dar um fim nesse momento, porque não me vem nada mais à cabeça. Talvez tenha virado um pouco mais fria, ou quem sabe prática quando procuro ignorar sentimentos e pessoas que não fazem bem nem a mim e nem à minha família.

A única coisa que sou indiretamente obrigada a dar um fim agora, é na minha estada na Coréia do Sul que eu tanto curti. A China que me aguarde. Não estarei chegando lá para dar um fim nas coisas, mas sim para iniciar tantas novas, começando pelo novo conjunto de jantar, as novas cortinas, revistas, bilhetes de museu e cinema, etc…

Luciana B. Veit

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Quem é você?

Luciana B. Veit Professora, bombeiro. Veterinária, piloto. Quem de nós nunca teve sonhos de profissões quando éramos pequenos? E quantos de nós realmente seguiram à risca esses planos infantis? Poucos.

Embora nos recordemos dos nossos objetivos mirins, nós adultos, sabemos que no fim foi a vida, quase que automaticamente, que decidiu o que seríamos quando crescêssemos.

Essa linha de pensamento me veio à tona após ter lido um artigo na revista alemã, “Der Spiegel – Wissen”. Dedicada à puberdade, o foco principal dessa edição foi: “Em que tipo de pessoa você quer se tornar?”, e não “o que você quer ser quando crescer”?

Achei esse levantamento um tanto ridículo, para falar pouco. Ridículo porque perguntar para um adolescente qual profissão ele pretende seguir é uma coisa, bastante difícil de escolher, diga-se de passagem, mas perguntar se o jovem pretende ser uma pessoa independente e sensata ou livre, leve e solto não é necessariamente o que ele pretende ser, mas o que já é e sempre foi.

Ninguém muda seus instintos. Podemos observar desde cedo que tem pinta de artista por se negar a aceitar regras, ou quem gosta de política por saber dançar conforme a música e assim por diante.

Ninguém vira uma outra pessoa com a idade que ela já não seja. Talvez venha a receber um lustre especial com o passar do tempo e os lugares pelos quais já tenha passado deixem uma influencia forte, mas a essência é e continua a mesma.

Ser sincero com o espelho não seria a dica mais importante que uma mãe poderia passar para o filho? “Não tente ser alguém que você não é”.

Está certo que vindo de mim tais observações são mesmo suspeitas, porque nunca me senti bem nadando junto com a corrente, mas acho que grande parte da sociedade tem tentado mesmo dar nomes e títulos para coisas que não precisam deles.

Ao invés de se sentirem infantis para não saberem ao certo como responder à pergunta da revista alemã, os adolescentes deveriam ter simplesmente respondido com o instinto.

Que tipo de pessoa eu quero me tornar? Que tal, feliz?

Luciana B. Veit

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Homem de Verdade

Statue Na visão de uma mulher, o que é um homem de verdade, um homem ideal?

Um homem de verdade é aquele que não é homossexual. Óbvio demais? Então lembrem-se daqueles sujeitos que tem vidas secretas com amantes do mesmo sexo, mesmo mantendo as aparências com esposa e filhos.

Um homem ideal é aquele que sabe se defender e defender quem e o que ele ama – nada de maricotas medrosas que tem medo do vizinho, medo do chefe, medo do presente e medo do futuro. Esse homem defende seu direito de expressar suas opiniões e desejos. Melhor ainda se ele for faixa-preta em alguma arte marcial e defender sua amada dos perigos com golpes ligeiros e certeiros.

Preguiça não faz parte do vocabulário de um homem de verdade, isso inclui estudo, trabalho, esportes, trabalho de casa, enfim, qualquer coisa que esse homem sabe que tem que fazer, mas não o faz por preguiça.

O homem com H maiúsculo faz questão de dar e não só de receber amor. Ele respeita sua mulher, tem orgulho dela e é fiel por vontade própria, e não porque as regras da sociedade assim ditam. Ele honra a pessoa que o apóia e sabe que um momento de selvageria pode acabar com uma vida inteira de companheirismo.

O homem ideal é trabalhador, batalhador, mas não ignora sua família, buscando sempre encontrar um balanço que sempre é possível, nem que seja meia hora por dia, porém de altíssima qualidade. Não se diz por aí que “tempo não se tem, mas se faz”?

Homem de verdade não depila os pelos do peito! Maquiagem e base incolor na unha então, socorro! No entanto, um homem de verdade está confortável em cuidar de sua pele usando loção hidratante ou pós-barba e se perfumando também, afinal, qual é a mulher que não gosta de um homem bem penteado e cheiroso? Barba já é uma questão pessoal, contanto que não seja no estilo do Talibã.

Está certo que nem todos podem medir 1,90 metros de altura, mas se um homem é baixinho, que ele pelo menos pense na sua postura para ganhar alguns centímetros a mais. E homem magrelo não é um homem ideal, me desculpe. Chega a ser nojento. Se não pode ter um peitoral de matar sua mulher de orgulho (tipo Hugh Jackman), ou até possuir um estilo asiático de beleza (magro, porém definido tipo Bruce Lee), que pelo menos desenvolva uma “pequena” “barriguinha”…

Homem de verdade sabe comer e beber bem, sem frescuras, mas também sem exageros. Elegante e soberano o que ele é, sabe a hora de parar.

Um homem de verdade pensa no futuro financeiro. Guarda dinheiro, compra um imóvel, faz um seguro de vida, abre poupança para os filhos. Mas aqui não serei tão dura, porque nem sempre dá para colocar de lado uma quantia X para fazer todas essas coisas, sem contar levar a família para viajar pelo menos uma vez ao ano.

Honestidade é o lema principal de um homem de verdade. “Enganar os outros é enganar a si mesmo”. Nenhuma trambicagem em relação ao dinheiro e ao poder vale a liberdade, e nenhuma sacanagem em relação a pessoa amada vale a solidão.

Vasto é o olhar de um homem de verdade. Ele sabe que nada sabe, mas que tanto quer aprender! O mundo não é só o seu umbigo.

Um homem de verdade respeita a vida, por isso renega a guerra e os vícios.

Saber se comunicar civilizadamente (e preferivelmente em vários idiomas) é um dos atributos daquele homem ideal, que não só fala, mas também escuta verdadeiramente.

E na hora do amor, ai, ai… Acho que todas as mulheres sabem o que o homem de verdade deve fazer para levar seja lá quem for às estrelas. Ele deve conhecer as preferências e as fantasias da parceira, porque essa sim é a genuína prova dos sete.

O homem de verdade tolera outras crenças que não sejam suas e respeita opiniões alheias, sem necessariamente adotá-las na sua vida. E o homem de verdade tem aversão ao racismo. Isso é coisa de gente medrosa, apavorada com coisas e pessoas que não compreendem!

Logo, o homem de verdade é um homem sábio, decente, forte de corpo e mente, mas frágil com seus sentimentos simplesmente porque ele sabe que é humano.

O homem de verdade não é uma máquina impossibilitada de errar. Dizer perdão não faz com que ele perca sua dignidade, mas pelo contrário, faz com que ele cresça, aprendendo com seus erros.

Agora a pergunta que muita gente deve estar fazendo: Será que existe mesmo homens assim?

Para aquelas à procura de um amor novo ou infelizes nos atuais relacionamentos, é importante dizer que tudo é relativo, com exceção da felicidade, claro. E isso não é um conselho à la Carrie Bradshaw, para quem já ouviu falar de um certo personagem de uma certa série passado numa certa cidade norte-americana que certamente nunca dorme, por isso não acorda…

Luciana B. Veit

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Experiências Inesquecíveis

fantasmas Eu sei. Nem todo mundo é fã de filme, ou melhor (muito, muito, muito melhor), de histórias verídicas de terror. “O Massacre da Serra Elétrica” e “Os Estranhos” por exemplo são filmes baseados na realidade. Mas eles não são os únicos.

A série do canal Discovery, “Haunting” (Assombração), mostra diversas casas assombradas nos EUA que levaram seus moradores à situações extremamente estressantes e até ameaçadoras. Irônico é que a maioria dessas casas não está situada em New Orleans, a capital americana da assombração.

Mas mesmo que New Orleans tenha se transformado numa espécie de Disneyland do terror para quem estiver à procura, nada se compara ao terror de Amityville.

Para quem nunca ouviu falar, 112 Ocean Drive em Long Island, no estado de Nova Iorque, é o endereço de Amityville, uma casa que foi palco de acontecimentos terríveis nos anos 70. Primeiro o filho mais velho mata a família toda dizendo ter ouvido “vozes”. Diga-se de passagem que houve uma “tentativa” de exorcizá-lo. Depois uma segunda família foge da casa antes de completar um mês lá dentro, completamente apavorizados. Eventos ocorridos depois desse episódio são difíceis de comentar, por ninguém saber ao certo se eles se tratam da realidade ou não. No entanto real é a oferta que o atual proprietário está fazendo: 1.150.000,00 USD para quem tiver sangue frio para encarar os espíritos malignos que lá habitam.

Já quem se interessar por assombração na Europa, o Reino Unido seria o ponto de partida. São tantos os locais que se dizem assombrados que fica difícil escolher, como Chester, Londres, Essex, Gloucestershire, entre muitos outros. O fato dos britânicos terem mesmo uma queda por histórias de terror, chegarem até a desenvolver um parque de diversão na capital, dedicado para aqueles que gostam de levar susto. “London Dungeon” deixa qualquer um com o coração palpitando e é muito original.

Ainda na Europa, quem nunca ouviu falar sobre o Drácula? Pois então, um tour de alfaiate levará os famintos por frio na barriga em lugares na Transilvânia, Romênia, onde o famoso conde teria passado e escrito sua história em sangue. Esse tour também inclui acomodação no Castelo do Drácula (conhecido como Bran Castle).

Os asiáticos adoram se assustar. Atualmente, talvez eles sejam os que mais fazem filmes de terror de qualidade. E passeios em lugares assombrados na Coréia do Sul, por exemplo, é o que não falta. O que falta, no entanto, é uma abertura para o público estrangeiro.

Nem todos os fantasmas são malvados, como o filme “Ghost” ou a série “Ghost Whispers” sugerem, por isso aqueles que sabem diferenciar um fantasma enraivado de um brincalhão ou até mesmo perdido, uma agencia de viagens na França (Ultime Realité) oferece acomodação dentro de um necrotério, onde os “turistas” poderão pagar 1.000 USD para passarem a noite ao lado de defuntos de verdade.

Para aqueles que não podem viajar até os Estados Unidos, Europa ou Ásia atrás de terror, é só darem uma passada no metro da Praça da Sé em São Paulo por volta das 18.00 hrs. Tente entrar no vagão hiper lotado e verá o que significa terror de verdade! E nada de ajudante para empurrar os comunitários para dentro dos vagões, como é o caso no Japão. Depois dessa experiência, dar de cara com um fantasma num castelo assombrado na Escócia ou num hotel em New Orleans seria uma piada, mesmo que de mal gosto.

Luciana B. Veit

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Verão e a Vergonha

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Tantas Tendências!

Art Gallery Que o mundo ficou menor por conta da internet ou por conta de descontos imperdíveis de agências de viagens no esquema de “Last Minute”, não é novidade.

Também não é novidade que a moda é e sempre foi um pêndulo, com pouquíssimas exceções de perspicazes designers, que souberam observar com excelência as necessidades e o psíquico de seus contemporâneos e assim traduzir o atual tempo em suas criações.

Teve um época que moda era comer em redes de fast-food. Hoje a moda é comida demorada e de preferência orgânica. Sem contar o quanto refrigerante está ultrapassado, com as águas vitaminadas com sabores de frutas e cappuccino e latte para viagem.

O estilo confortável passou a ser requintado em quase todos os aspectos, mesmo que ainda prático.

As tantas horas extras de esportes para as crianças às tardes passaram a ser disputadas com aulas de idiomas. Sem contar que Inglês está perdendo a graça, seja pelo fato de todo mundo já dever saber (melhor ainda já nascer sabendo), ou porque a tendência do domínio do mundo esteja caminhando mesmo para a Europa e a China.

Amarelinha e jogo de elástico, desses de rua mesmo, transformaram-se em Nintendo DS ou Playstation. E ai dos pais que tentarem convencer os filhos de hoje a fazer aquilo que eles costumavam fazer!

Quanto aos cachorros, teve uma época que não fazia a diferença qual raça o fulano possuía. Depois houve a fase da Paris Hilton, com os cachorrinhos minúsculos passeando para lá e para cá, vestidos com roupas transadas dentro de uma bolsa de 2 mil euros. Atualmente a coisa está assim: Diga-me que cachorro você possui que eu te digo quem tu és. Análise de estudos que ligam aos seus donos não só o jeito, mas inclusive a fisionomia do amigo mais fiel viraram obrigação. Eu e meu buldogue inglês sabemos bem disso…

Produções teatrais podiam ser chamadas assim na época de Chekov, Sheakspeare ou até Arthur Miller, quando não haviam limites para o número de personagens e muito menos para as propriedades de palco. Hoje as tendências das encenações simples estão em alta.

Está certo que nem todo mundo já rodou os sete (pelo menos cinco) continentes, mas para aqueles que já o fizeram, viajar volta a ser uma aventura. Lugares que pouquíssimos já ouviram falar, mais contato com uma natureza intocada, acomodações alternativas, convivência direta com os nativos e algo a mais para aprender são a nova onda. Que tal fazer um curso de culinária ao ar livre nos parques nacionais da Tanzânia, junto aos leões e búfalos? Ou ajudar de graça na safra de uvas de alguma fazenda da Toscana? Ensinar voluntariamente uma língua por tempo determinado para as pobres crianças do Camboja ou quem sabe até limpar e alimentar (também na boa fé) os tantos animais do zoológico de Sydney? Sem contar que redescobrir esportes radicais deixou de ser coisa associada unicamente aos jovens malucos e suicidas.

Dicionários são hoje sinônimos de Google Translate, quando antigamente quanto mais pesado o livro imprimido, mas ele impunha seu valor. EBooks então nem se fala! – Que raio de mundo é esse? – Voltaire, Goethe e Tolstoi devem estar se perguntando, observando lá do outro lado da vida…

E quanto ao protótipo de beleza? Gorda passou a ser magérrima e voltou a ser voluptuosa. Pele branca era coisa de nobreza e pele bronzeada de povão. Depois o jogo virou. Hoje pele de couro amarronzada é coisa de gente sem noção e pele do tom natural é coisa de gente que se cuida, que não quer envelhecer prematuramente e que não quer se expor aos perigos dos raios solares – com exceção do Japão, China e Coréia do Sul, quando as nativas gastam uma fortuna com cremes embranquecedores (deixando por agora o fator racista de lado).

Pois é… As tendências acabam não sendo nada mais do que vagas orientações. Ainda bem!

Luciana B. Veit

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Eles estão por toda a parte

Angel Sabe aquela vez quando você saiu de casa de carro para aquela reunião importantíssima e no caminho se deu conta que esqueceu o laptop para a sua apresentação?

E aquela viagem dos sonhos onde você aprenderia a mergulhar nas profundezas do mar? Dessa vez você não esqueceu nada, mas uma enxaqueca que nunca teve na vida resolveu te prender na cama do quarto do resort.

Coincidência?

Independentemente das nossas crenças ou falta delas, não podemos fingir que nunca sentimos uma presença familiar, um sussurro no ouvido, uma parede de vidro invisível que nos protege dos perigos. E quando nos negamos a dar ouvidos a tais manifestações que nenhuma ciência pode provar, essa força que nos apóia nos faz esquecer a bolsa em casa adiando assim os planos de ir às compras, nos faz torcer o tornozelo para não irmos esquiar e também aparece nos nossos sonhos, quando só nos daremos conta da situação quando passarmos pela experiência inexplicável do dejà-vu.

Fora isso, quem nunca ouviu falar sobre relatos de pessoas que sobreviveram situações extremas jurando que algo ou alguém haviam ajudado-as e logo depois desaparecido misteriosamente? Loucura? Stress pós-traumático? Realidade?

Por que é tão difícil darmos crédito ao excepcional, às coisas que não são tão óbvias assim? Isso vale para os crentes também, que apesar de participarem de missas e ouvirem tantas histórias sobre aqueles seres especiais que trabalham como mensageiros do Grande Arquiteto do Universo, acabam não dando a devida importância quando esses guiais espirituais se manifestam, às vezes através de formas tão claras que deixam pouca margem para discussão.

O ser humano busca contato no vasto universo, procura por vida, quer comunicação com extra-terrestres, mas esquece que a grande maioria de nós ainda não está pronta para enfrentar um encontro desse quando ignoramos os sinais de outros seres que não estão a centenas de anos luz do nosso planeta, mas sim dentro ou mesmo em volta de nós.

Poderia afirmar que os anjos estão por toda a parte, elevados ou caídos, visíveis ou não, com esta específica denominação ou uma outra?

Se tal confirmação física desses serem fiéis e presentes é quase impossível (quase, porque nada é 100% impossível), fico pelo menos mais leve ao saber que também existem anjos de carne e osso.

Para aqueles que tem não tem fé na raça humana, acreditando que se as pessoas tivessem mais poder e jamais fossem punidas andariam sem remorso por cima dos cadáveres alheios, é chocante dar de cara com o fato que existem sim exceções.

Se não for ajudar pelo menos tente não atrapalhar, não é assim? E por que?

O anjo não precisa ter cachos dourados e nem longas asas para provar o que é e o que pode, com ou sem corpo. O anjo é aquele que aparece na hora certa e no lugar certo, mesmo até depois de um acidente, evitando assim que coisa ainda pior aconteça. O anjo pode ser uma criança que fala mesmo fora do seu contexto e de sua realidade exatamente aquilo que você precisa ouvir. O anjo é aquele que nos comove. E o anjo é aquela presença que nunca nos deixa só, mesmo quando nossa sintonia enfraquece com o tempo por conta de decisões que nós mesmos resolvemos tomar.

Por isso é bom abrir os canais para não só dizermos que ouvimos falar que temos anjos em nossa volta, mas sim para senti-los. Não estamos sozinhos, mesmo quando é exatamente isso que parece ser aos olhos dos simples mortais.

Eles estão por toda a parte.

Luciana B. Veit

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Férias no Sudeste Asiático. Oba!

Malaysia, Tioman As férias começam bem antes delas começarem literalmente, pelo menos na cabeça.

Para aqueles que detestam grupos e fazem parte da turma dos viajantes independentes, mochileiros ou “resort-eiros”, o barato já começa na escolha do destino e falando do sudeste asiático então, oba!

São muitas e muitas horas na internet em fóruns e fotos de quem já foi, dicas preciosas ou descartáveis, comparação de preços de hotéis e esquemas de transporte.

Depois é a hora do guia, não aquele que fala tanto até a boca secar (muitas vezes até sem noção alguma, como é a maioria dos casos no Egito), mas o bom e velho livrinho. É claro que muita informação prática estará desatualizada por conta da velocidade dos updates na internet, mas no que diz respeito a história, o povo, a cozinha, os costumes e até um pouco da língua local, o guia impresso não deixa de ser algo essencial. Eu por exemplo gosto de estudá-los bem antes de viajar, porque chegando no destino já estarei um pouco preparada para lidar com as esperadas surpresas que vem com as experiências, deixando ainda muito espaço para descobertas.

Nas férias da Páscoa decidimos voltar para Singapura e de lá visitar alguma ilha na região. Escolhemos Palau Tioman. Famosa por ter sido a locação do musical Bali Hai, Tioman fica a 40 quilômetros da costa da Malásia é uma das ilhas mais virgens e bonitas do mundo, que vai muito além da areia branca (dourada ali) e mar cristalino nos seus 20 quilômetros de norte a sul. Fora os córregos de água fria e limpa que vem da montanha e termina nas águas mornas do mar, Tioman oferece quedas d’água, macacos atrevidos e lagartos de até 2 metros de cumprimento andando soltos para todos verem, 25 espécies de serpentes venenosas, vegetação rica e variada e uma barreira de corais para deixar qualquer um babando. Sem contar que lá só existe um único resort (já que os outros pequenos hotéis não passam de pousadas), uma única rua pavimentada e um gracioso mini aeroporto.

De Singapura resolvemos pegar um ônibus que nos levaria até Mersing, de onde o barco partiria. Olhando no mapa do guia tudo parecida estar logo ali na esquina, por isso não esquentei, mas a confusão já começou para comprar os bilhetes, o que não poderia ser feito online. Em Singapura existe diversas rodoviárias e elas se dividem de acordo para onde o ônibus partirá. Fácil? Pesadelo. Descemos em quatro locais diferentes e somente o quinto e último estaria correto.

No dia e hora marcados estávamos na parada certa. O público era mais colorido do que havia esperado por conta da metade dos passageiros serem estrangeiros. Já os assentos de veludo vermelhos fediam muito menos do que na minha fértil imaginação, com exceção dos rastros de cabeças oleosas nas janelas que eram mais do que reais.

Na fronteira com a Malásia, passado o Estreito de Johor mais ou menos 40 minutos do centro da cidade-estado, tivemos que descer do ônibus duas vezes para o controle de passaportes carregando as malas grandes, pesadas, duras e coloridas debaixo do braço. Um sufoco para quem está acostumada a check-in de linhas aéreas. Sem contar que em Johor Bahru fomos obrigados a trocar de ônibus – coisa que não estava programado e que só viemos a descobrir quando o motorista nos viu acomodados e disse: – E então, vão pegar o próximo ônibus ou fazer turismo por aqui, em J.B.?

A viagem até Mersing que deveria durar três horas no máximo durou mais do que quatro horas (sem banheiro), mas pelo menos parecia que chegaríamos a tempo de pegar a balsa às 13.30 hrs que nos levaria ao nosso destino paradisíaco. Acontece que em Mersing existia dois jetties – coisa que saberíamos bem, mas bem mais tarde. O barco das 13.30 hrs foi cancelado do jetty de onde estávamos e o próximo só sairia às 15.00 hrs. Nem achamos tão ruim assim, porque tínhamos a chance de almoçar e ver a cidadezinha – muito sem graça, aqui entre nós. Paramos num local simpático, uma cabana de madeira que oferecia lanches simples e internet de graça, algo de chamava a atenção de turistas e de mochileiros estrangeiros, desses na faixa dos 20 anos com rastafári no cabelo, laptop à mão e pele de couro, típico de quem já está há algum tempo na estrada.

Depois do almoço nos colocamos de prontidão para a balsa e na mesma comportada posição ficamos até finalmente a chamada para o embarque, o que se deu com uma hora e meia de atraso. Enfim na ferry de alta velocidade abafadíssima – também sem banheiro – procuramos forçar nossas mentes a curtir o momento e lembrar que o que valia era a jornada e não necessariamente o destino.

Finalmente chegamos em Tekek duas horas mais tarde. Por se tratar de um resort mais refinado, o público do Berjaya Resort mudou: de bag-packers a famílias com crianças e grandes malas como as nossas (nada do que se envergonhar ali), nos sentimos logo em casa. Só achamos uma pena termos perdido o dia todo, quando podíamos ter pego o vôo de meia hora que Berjaya Air oferece. Apesar da experiência, resolvemos voar para Singapura de volta, coisa que gente com criança pequena faz… Está certo que há alguns anos quando meu filho tinha 2 anos de idade fizemos uma viagem de Moscou a Bali com cinco trechos no caminho via Alemanha, Áustria, Tailândia e Brunei, o que mostra que ele não é tão frágil assim.

Mas enfim, a ilha! Ah Tioman! Voando baixo os morcegos no cair da noite nos deram as boas vindas enquanto os macacos jogavam frutos das árvores quase sobre nossas cabeças, também como saudação. Só bastava olhar para o céu estrelado e cheirar o ar para saber que estávamos mesmo num paraíso tropical – e não me venham falar que ar não tem cheiro. Tem sim: a brisa traz as notas misturadas da mata, da areia, do mar, do cloro da piscina. Sem esquecer que me encontrava em um resort, não tive como deixar de sentir o cheiro dos corpos brilhantes de creme solar ou pós-sol, de repelente, de comida do restaurante que acabava de abrir para o jantar, dos cabelos úmidos lavados por shampoo e da roupa de praia pendurada nos balcões para secarem ao ar livre ao invés do varalzinho do banheiro. Agora qual é o melhor cheiro de todos? De férias no geral, claro!

Em um cantinho desses, não necessariamente a Ásia mas sim em um resort qualquer, é fácil taxar as pessoas: existem os branquelos que acabaram de colocar as malas no quarto, os super queimados que chegaram no dia anterior e exageraram debaixo do sol, os morenos que já estão de saída e os pele-de-couro que não são vistos num resort desse, com exceção dos nativos obviamente. Mas o que todos são é mortos de fome. Viajantes com pinta de magnatas caem em cima do buffet do café e do jantar como não houvesse um amanhã, mas é claro que isso não se dá só na Malásia. Mas não me entendam mal: comer muito e com prazer e calma é uma coisa, mas comer desesperadamente rápido é feio.

Uma atitude parecida se dá logo cedo com a demarcação de lugar. Não! Não estou falando de briga territorial de animal selvagem, mas de uma prática bastante exercitada pela macacada tipo eu e você. Existe gente que acorda às 5 horas da manhã para bloquear com a toalha (do dia anterior) o lugar que deseja se apossar. Coisa de resort que não oferece conforto suficiente? Não necessariamente. Coisa de gentinha? Não, mas infelizmente coisa normal de turista por mais que tentamos fingir não ser verdade, já que não é todo mundo que pode bancar um bangalô sobre o mar como é normal nas Ilhas Maldivas ou em Bora-Bora.

Mas voltando aos protótipos, tem aqueles que não saem da água, aqueles que não saem da areia, uns que ignoram completamente os familiares com livros ou revistas, ou aqueles chatos que só querem ficar fazendo jogos sociais o tempo-todo. Fazer castelo de areia já não é mais tão hip como na minha infância e no joguinho de “me mostra o que você paga que eu te digo quem e quão rico você é”, os passeios extras deixam de ser simplesmente uma diversão entre os hóspedes, principalmente aqueles que adoram fazer novas amizades. Mas nem tudo é novidade porque os chorões emotivos do pôr-do-sol armados com suas máquinas fotográficas sempre existirão.

O dia do check-out é o mais melodramático. Quando falei sobre os mortos de fome do buffet do restaurante, esqueci o quão muito mais desesperada eu sou sabendo que os minutos para a próxima estação estão batendo, mesmo se tratando de Singapura que depois de Sydney é a minha cidade preferida. Nado e curto a praia até o último minuto e sofro em ter que dizer adeus. Imagino se voltarei ali um dia e me despeço de verdade, agradecendo os espíritos locais pela hospitalidade. Olho em minha volta, pago a conta e procuro dizer a mim mesma: é preciso dizer adeus para poder dizer oi de novo – nas próximas férias, num outro destino.

Quarto barato ou quarto caro. Vista para o jardim ou vista para o mar. Ônibus, trem, avião ou carro. O que vale é poder viajar e falando do sudeste asiático então, topo tudo, ou quase tudo, inclusive fazer snorkel em águas profundas durante a menstruação. Os tubarões não se importaram, pelo menos comigo não… Ih! Falei demais?

Luciana B. Veit

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Estatísticas do Website

Cidade à Noite Quem gerencia um website como o meu sabe que é possível fazer uso dos “espiões” online para descobrir como é que as pessoas me encontraram nesse interminável mundo virtual.

Mas para os noviços, isso funciona assim: toda a vez que o robozinho do Google por exemplo passeia pelo meu website, ele retém algumas palavras e alguns termos que arquivará em sua memória caso alguém procure por eles. Ou então esse mesmo robozinho entra em um outro website que contem o link ou um comentário do meu próprio.

Digamos que esteja procurando por “livro sobre Mozart”. Então escrevo as palavras no “search engine” e ele me oferece opções. Dentre elas o meu livro “Mozart e Catarina” será encontrado.

Se quisesse aumentar o meu tráfego de uma forma monstruosa só teria que escrever sobre os tópicos mais procurados que as estatísticas do SEO (Search Engine Optimization) me indicam, no entanto quase sempre acabo ignorando-os porque para mim escrever é sinônimo de liberdade total.

Porém independentemente disso, não poderia deixar de dizer que tais tópicos são no mínimo interessantes de ler.

Interessantes porque acabo sabendo o que grande parte dos internautas estão buscando, e mais interessantes ainda porque determinados termos nada ou pouco tem a ver com aquilo que escrevo, direta ou indiretamente.

É claro que Google ou qualquer outro “search engine” poderá me indicar quando alguém buscar “canibalismo”, porque em uma das minhas antigas crônicas já escrevi sobre canibais das ilhas Fiji, mas às vezes me pergunto como é que uma pessoa que buscou “homens velhos pelados” acabou me encontrando…

A seguir alguns termos que a estatística me apresentou sobre as pessoas que querendo ou sem querer acabaram me encontrando.

Escravas sexuais – certo, já falei sobre isso num texto a respeito das mulheres de conforto – coreanas que eram abusadas pelos conquistadores japoneses.

Como embrulhar ovos – também já falei sobre isso, apesar de eu estar mencionando ovos crus de galinha mesmo, e não os de chocolate.

Religião e moral – um dos termos mais repetitivos que é encontrado em vários textos meus.

Isolamento social – campeão de buscas. Seria isso um reflexo da sociedade atual?

Mulheres estupradoras – mais direto seria impossível. Falei a respeito num texto sobre a castração.

Como morrer – sinceramente, não quero ter nada a ver com isso.

Copos de suco – quem é que ainda não leu “O Copo de Suco Alemão”?

Medo – outro campeão de bilheteria. As pessoas tem medo até de coisas que tem medo delas.

Suicídio de famosos – comentei em alguns textos a respeito, mas o mais atual foi sobre o suicídio do ex-presidente da Coréia do Sul.

Como agüentar bafo de alho do marido – querida, acho que não poderei te ajudar nisso. Mas de qualquer forma tente chá verde como os coreanos pregam, ou vinho tinto como os franceses endeusam.

Vizinhos pelados – lembro-me do texto que escrevi sobre um alemão que gostaria de ter o direito, legalmente falando, de andar nu em sua residência, inclusive na varanda.

Curiosidades de supermercados – esse é um termo que eu mesma poderia ter digitado na busca, porque visitar um mercado em um país diferente sempre faz parte do meu programa cultural.

Lendas e mitos da Arábia – com esse termo fica fácil me encontrar por conta da “A Pérola da Arábia”.

Os melhores textos lidos pela internet – obrigada, robozinho.

Nomes legais – certamente aqueles que digitam tal termo tem bebês em mente, mas quando escrevi “Nomes Legais para Coisas Nada Ideais” estava me referindo às drogas.

Sadia Brasil – huh. Sadia? O que eu tenho a ver com frango? Galinha não, hein pessoal! Ah! Quem sabe não foi o texto sobre aquele indiano em Dubai que relacionou o Brasil com frango da Sadia, e não necessariamente com futebol e mulatas semi-nuas?

Imagens e fotos de mulheres alemães estupradas pelos soldados russos na Prússia oriental durante a Segunda Guerra Mundial – que busca mais detalhada! Só ainda não entendi o que eu tenho a ver com isso.

Pequenos textos maneiros – maneiríssimo! Ups, já corei – de novo!

Pois é, manter um website é mais do que um passatempo cabeça, porque através de utensílios dos “search engines” como as estatísticas, acabo ganhando uma visão geral sobre o que as pessoas querem se informar, ou zoar, ou simplesmente matar o tempo. Legal também é saber de qual país e de qual cidade elas vem, em qual página do website elas ficam mais tempo, o que elas lêem e exatamente quanto tempo elas se dedicam aos meus escritos e em muito breve, às minhas fotos também.

Ingênuo é aquele que pensa que existe anonimato na internet, que é mais transparente do que o olhar de uma criança que está a fim de fazer coisa que não deve.

Luciana B. Veit

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