Roman Polanski, o diretor de filmes como o Pianista, Chinatown e Rosemary’s Baby (e um dos meus favoritos, senão o meu favorito) está em prisão domiciliar em Gstaad, Suíça, aguardando o seu destino por ter drogado e estuprado uma adolescente norte americana de 13 anos em 1977. Mas todo o mundo já sabe disso.
Uma velhinha de 98 anos que sofria de demência matou sua vizinha do asilo de 100 anos nos Estados Unidos por conta de diversas discussões sobre bobagens, e por último sobre a posição de uma mesa, o que seria fatal para uma delas. Mas você também já deve ter ouvido falar do crime.
E aquela garota de 22 anos de rosto de anjo e olhos de gelo, Amanda Knox, que foi condenada a 26 anos de prisão por ter, juntamente com seu namorado e um outro sujeito, supostamente assassinado sua colega de quarto na Itália há dois anos? Esse tampouco é um furo jornalístico.
O que esses três crimes de alta audiência tem em comum? A discussão sobre o tempo em geral.
Quando Roman Polanski fugiu dos E.U.A. para a França, ele soube gozar a sua vida. Apesar de sua primeira esposa ter sido brutalmente assassinada e de seus pais terem morrido no campo de concentração nazista, durante os 32 anos a partir de 1977 ele casou-se novamente, teve filhos, rodou filmes, produziu um musical e até ganhou um Oscar, sem contar que sua vítima o perdoou em público e até pediu para as autoridades largarem o caso. Em vão.
A pergunta que fica no ar é: apesar desse crime ter ocorrido há mais de três décadas, será que ele deveria ser perdoado e esquecido pela justiça? A lei continuará tendo mais poder do que os sentimentos? Por mais que o nobre diretor não tenha cometido o mesmo erro uma segunda vez, os anos que passaram apagaram seu passado?
Por mais que a vítima diga: “Não tem problema porque eu já esqueci esse assunto”; criminosos copycat só continuam observando. Eles vão achar genial ter essa possibilidade de se safarem de seus crimes só porque as vítimas o perdoaram.
Jesus nos ensinou o perdão, mas também a conseqüência. Nosso mundo já está longe de ser perfeito, mas quando o significado da conseqüência não valer mais nada, aí estaremos perdidos de vez.
Agora o que fazer com a velhinha assassina? Leiga nos assuntos da lei, passo a pergunta para os entendidos. Será que é fácil condenar alguém e mandar o assassino para o hospício quando for provado que trata-se de fato de problemas mentais?
Tem muito idoso por aí só aguardando, senão torcendo para que algo o tire da chatice da rotina. Eles estão fartos de contar os dias para morrerem. Eles se sentem inúteis e bastante fracos para começarem um novo negócio, para aprenderem um novo idioma, ou para cantarem no coro de uma igreja qualquer. Sabendo que estão com o pé na cova, aqueles que não temem Deus devem estar articulando idéias macabras nesse mesmo instante, tomando a “heroína” americana como exemplo.
Talvez o caso dela tenha realmente sido um ato demente, mas também poderia ter sido algo do tipo: “Quando foi a última vez que fiz uma coisa pela primeira vez? Já que estou velha mesmo, não vou para a cadeia, e mesmo se for, não me resta muito tempo mesmo”.
Já com a Amanda Knox a situação é diferente. Ela não está com o pé na cova e nem possui excepcionais atributos artísticos para protegê-la. Senhorita Knox já está cumprindo pena em uma penitenciária italiana. A questão referente ao tempo aqui é a seguinte: se realmente foi ela que assassinou sua colega simplesmente por ela ter se negado a participar de uma orgia, o tempo na prisão irá curar a ruindade de seu coração? Diferente dos casos acima, Amanha Knox será libertada da prisão na faixa dos 40 anos, senão antes por conta de bom comportamento – ou sei lá eu. De novo, repasso a questão para os experts.
Uma das poucas coisas que sei da vida, é que as pessoas dificilmente se modificam. Elas até podem mudar um pouco aqui e ali, fazer um “face-lifting” afim de se reintegrarem na comunidade, mas a essência geralmente continuará para sempre a mesma. Imagino que existam exceções, mas eu pessoalmente não conheço ninguém que tenha se transformado 100%, independentemente das peças que a vida já tenha pregado.
Isso significa então que Polanski continua sendo um tarado safado? Que a velhinha sempre teve vontade de matar alguém? E que a jovem estudante curtia viver a vida à beira do abismo, achando que tirar a vida de uma nerd nunca passou de uma experiência de laboratório?
Calma! Não vão me processar por isso! Foram só três perguntas que talvez o mundo nunca virá a conhecer as suas respectivas respostas. E se ainda tivermos a sorte de conhecer a verdade um dia, só o tempo dirá quando.
Luciana B. Veit
Uma velhinha de 98 anos que sofria de demência matou sua vizinha do asilo de 100 anos nos Estados Unidos por conta de diversas discussões sobre bobagens, e por último sobre a posição de uma mesa, o que seria fatal para uma delas. Mas você também já deve ter ouvido falar do crime.
E aquela garota de 22 anos de rosto de anjo e olhos de gelo, Amanda Knox, que foi condenada a 26 anos de prisão por ter, juntamente com seu namorado e um outro sujeito, supostamente assassinado sua colega de quarto na Itália há dois anos? Esse tampouco é um furo jornalístico.
O que esses três crimes de alta audiência tem em comum? A discussão sobre o tempo em geral.
Quando Roman Polanski fugiu dos E.U.A. para a França, ele soube gozar a sua vida. Apesar de sua primeira esposa ter sido brutalmente assassinada e de seus pais terem morrido no campo de concentração nazista, durante os 32 anos a partir de 1977 ele casou-se novamente, teve filhos, rodou filmes, produziu um musical e até ganhou um Oscar, sem contar que sua vítima o perdoou em público e até pediu para as autoridades largarem o caso. Em vão.
A pergunta que fica no ar é: apesar desse crime ter ocorrido há mais de três décadas, será que ele deveria ser perdoado e esquecido pela justiça? A lei continuará tendo mais poder do que os sentimentos? Por mais que o nobre diretor não tenha cometido o mesmo erro uma segunda vez, os anos que passaram apagaram seu passado?
Por mais que a vítima diga: “Não tem problema porque eu já esqueci esse assunto”; criminosos copycat só continuam observando. Eles vão achar genial ter essa possibilidade de se safarem de seus crimes só porque as vítimas o perdoaram.
Jesus nos ensinou o perdão, mas também a conseqüência. Nosso mundo já está longe de ser perfeito, mas quando o significado da conseqüência não valer mais nada, aí estaremos perdidos de vez.
Agora o que fazer com a velhinha assassina? Leiga nos assuntos da lei, passo a pergunta para os entendidos. Será que é fácil condenar alguém e mandar o assassino para o hospício quando for provado que trata-se de fato de problemas mentais?
Tem muito idoso por aí só aguardando, senão torcendo para que algo o tire da chatice da rotina. Eles estão fartos de contar os dias para morrerem. Eles se sentem inúteis e bastante fracos para começarem um novo negócio, para aprenderem um novo idioma, ou para cantarem no coro de uma igreja qualquer. Sabendo que estão com o pé na cova, aqueles que não temem Deus devem estar articulando idéias macabras nesse mesmo instante, tomando a “heroína” americana como exemplo.
Talvez o caso dela tenha realmente sido um ato demente, mas também poderia ter sido algo do tipo: “Quando foi a última vez que fiz uma coisa pela primeira vez? Já que estou velha mesmo, não vou para a cadeia, e mesmo se for, não me resta muito tempo mesmo”.
Já com a Amanda Knox a situação é diferente. Ela não está com o pé na cova e nem possui excepcionais atributos artísticos para protegê-la. Senhorita Knox já está cumprindo pena em uma penitenciária italiana. A questão referente ao tempo aqui é a seguinte: se realmente foi ela que assassinou sua colega simplesmente por ela ter se negado a participar de uma orgia, o tempo na prisão irá curar a ruindade de seu coração? Diferente dos casos acima, Amanha Knox será libertada da prisão na faixa dos 40 anos, senão antes por conta de bom comportamento – ou sei lá eu. De novo, repasso a questão para os experts.
Uma das poucas coisas que sei da vida, é que as pessoas dificilmente se modificam. Elas até podem mudar um pouco aqui e ali, fazer um “face-lifting” afim de se reintegrarem na comunidade, mas a essência geralmente continuará para sempre a mesma. Imagino que existam exceções, mas eu pessoalmente não conheço ninguém que tenha se transformado 100%, independentemente das peças que a vida já tenha pregado.
Isso significa então que Polanski continua sendo um tarado safado? Que a velhinha sempre teve vontade de matar alguém? E que a jovem estudante curtia viver a vida à beira do abismo, achando que tirar a vida de uma nerd nunca passou de uma experiência de laboratório?
Calma! Não vão me processar por isso! Foram só três perguntas que talvez o mundo nunca virá a conhecer as suas respectivas respostas. E se ainda tivermos a sorte de conhecer a verdade um dia, só o tempo dirá quando.
Luciana B. Veit