Quem é que não aprecia uma dose extra de atenção? Seja pelas nossas virtudes, ações sociais ou ainda vitórias profissionais, fato é que ser vaidoso faz parte da natureza humana.
Imaginem um dia extraordinário, quando uma pessoa normal, que nunca foi nem a melhor e nem a pior em nada passa a ser o centro das atenções, o tópico de conversa número um nas rodinhas da faculdade ou do trabalho? Todos pensam que sabem tudo sobre a vida da sujeita e ela passa a acreditar, que mesmo sem saber o motivo de todo o alvoroço, se tornou de um jeito ou de outro melhor do que era antes. Corada, ela passa nos corredores de cabeça baixa e não ousa olhar ninguém nos olhos (bom, pelo menos nisso nada mudou).
Agora o galã que costuma se olhar no espelho toda manhã sorrindo, dando um tapinha leve no rosto dizendo: – Eu sou mesmo o melhor.
O que aconteceria com ele, caso ninguém mais o reparasse? No primeiro dia ele respiraria aliviado na fila do cinema, acreditando que seu disfarce de óculos escuros e boné deu certo. Se divertiria em incógnito, dizendo para si mesmo: – Vocês, mortais! Estão tendo o deleite de estarem ao meu lado e nem se dão conta disso?
Mas então no segundo dia o galã tão seguro de si, sai sem disfarce pelas ruas e ninguém nota. Ele provoca a situação, conversa com o jornaleiro e deixa uma caixinha mais do que generosa para a garçonete, mas nem assim as pessoas compreendem sua aflição.
Mas voltando ao primeiro parágrafo, ser o centro das atenções, nem que seja por um instante, é uma massagem no ego. Bom, nem sempre. Ainda em Moscou, me sentia juntamente com o meu filho e marido livre para ir e vir, nos passando por russos, por sermos altos, de bochechas salientadas e pele clara. Na Alemanha, o quadro também era o mesmo. Nos Emirados Árabes Unidos havia um pouco mais de atenção, mas também nem tanta, já que os estrangeiros – mais do que 80% da população – não fazem a primeira página do jornal. Os outros países pelos quais passei eu não poderia dizer, porque ser turista está estampado no rosto, e nesse caso, o tratamento é sempre outro.
Mas desde que chegamos na Coréia do Sul, passamos a entender e a sentir na pele em todos os instantes em público, o que é ser um Superstar. A população de estrangeiros aqui não ultrapassa os 2% e dentro dessa porcentagem, a maioria é composta por chineses, filipinos ou japoneses. Visualmente falando, muda pouco. Diferente de Tóquio ou de Hong Kong, os “aliens” são fitados com um interesse colossal. Preparo meu filho psicologicamente toda vez antes de sairmos de casa, porque ele é quem mais sofre com tanta atenção. Loiro de cabelos cacheados, alto, olhos castanhos e ainda criança! Todos torcem o pescoço, querem tocar nele, e sempre dizem alguma coisa gentil.
O interesse por parte dos coreanos para com os estrangeiros é enorme. Eles querem saber de tudo em uma conversa supérflua no metrô, referentes à idade, ao salário, à moradia, ao passado criminal, à preferência por comida…
“Que legal!” – pensei no primeiro dia. Mas na segunda semana passei a achar que um pouco mais de discrição não cairia nada mal.
Não, eu não sou galã de TV e nem de cinema, não danço para a MTV com o umbigo de fora e nem me meto com os seguidores de Bin Laden no Oriente Médio para assim me tornar Correspondente Internacional Chefe da CNN, mas no momento, eu e minha família somos celebridades na capital coreana por sermos simplesmente nós mesmos, sem nenhum feito extraordinário. Não é fantástico? Não?
Imaginem um dia extraordinário, quando uma pessoa normal, que nunca foi nem a melhor e nem a pior em nada passa a ser o centro das atenções, o tópico de conversa número um nas rodinhas da faculdade ou do trabalho? Todos pensam que sabem tudo sobre a vida da sujeita e ela passa a acreditar, que mesmo sem saber o motivo de todo o alvoroço, se tornou de um jeito ou de outro melhor do que era antes. Corada, ela passa nos corredores de cabeça baixa e não ousa olhar ninguém nos olhos (bom, pelo menos nisso nada mudou).
Agora o galã que costuma se olhar no espelho toda manhã sorrindo, dando um tapinha leve no rosto dizendo: – Eu sou mesmo o melhor.
O que aconteceria com ele, caso ninguém mais o reparasse? No primeiro dia ele respiraria aliviado na fila do cinema, acreditando que seu disfarce de óculos escuros e boné deu certo. Se divertiria em incógnito, dizendo para si mesmo: – Vocês, mortais! Estão tendo o deleite de estarem ao meu lado e nem se dão conta disso?
Mas então no segundo dia o galã tão seguro de si, sai sem disfarce pelas ruas e ninguém nota. Ele provoca a situação, conversa com o jornaleiro e deixa uma caixinha mais do que generosa para a garçonete, mas nem assim as pessoas compreendem sua aflição.
Mas voltando ao primeiro parágrafo, ser o centro das atenções, nem que seja por um instante, é uma massagem no ego. Bom, nem sempre. Ainda em Moscou, me sentia juntamente com o meu filho e marido livre para ir e vir, nos passando por russos, por sermos altos, de bochechas salientadas e pele clara. Na Alemanha, o quadro também era o mesmo. Nos Emirados Árabes Unidos havia um pouco mais de atenção, mas também nem tanta, já que os estrangeiros – mais do que 80% da população – não fazem a primeira página do jornal. Os outros países pelos quais passei eu não poderia dizer, porque ser turista está estampado no rosto, e nesse caso, o tratamento é sempre outro.
Mas desde que chegamos na Coréia do Sul, passamos a entender e a sentir na pele em todos os instantes em público, o que é ser um Superstar. A população de estrangeiros aqui não ultrapassa os 2% e dentro dessa porcentagem, a maioria é composta por chineses, filipinos ou japoneses. Visualmente falando, muda pouco. Diferente de Tóquio ou de Hong Kong, os “aliens” são fitados com um interesse colossal. Preparo meu filho psicologicamente toda vez antes de sairmos de casa, porque ele é quem mais sofre com tanta atenção. Loiro de cabelos cacheados, alto, olhos castanhos e ainda criança! Todos torcem o pescoço, querem tocar nele, e sempre dizem alguma coisa gentil.
O interesse por parte dos coreanos para com os estrangeiros é enorme. Eles querem saber de tudo em uma conversa supérflua no metrô, referentes à idade, ao salário, à moradia, ao passado criminal, à preferência por comida…
“Que legal!” – pensei no primeiro dia. Mas na segunda semana passei a achar que um pouco mais de discrição não cairia nada mal.
Não, eu não sou galã de TV e nem de cinema, não danço para a MTV com o umbigo de fora e nem me meto com os seguidores de Bin Laden no Oriente Médio para assim me tornar Correspondente Internacional Chefe da CNN, mas no momento, eu e minha família somos celebridades na capital coreana por sermos simplesmente nós mesmos, sem nenhum feito extraordinário. Não é fantástico? Não?
Luciana B. Veit