Como escritora, o que eu mais desejo é mexer de alguma forma com o interior dos meus leitores. Nada me dá mais prazer do que constatar que eles, ou melhor, vocês se identificam com aquilo que eu escrevo, sendo isso subjetivamente ou objetivamente, positivamente ou perturbadoramente.
No entanto muitos de vocês acreditam que através dos meus livros ou textos eu esteja mandando recados pessoais ou me colocando em uma posição delicada de expor minha fragilidade. É claro que a ferramenta mais importante na minha arte de escrever são os meus sentimentos, as minhas experiências pessoais, mas essas mesmas experiências não tem que ser necessariamente retratadas em todos os meus escritos.
Aquilo que me inspira pode ser algo que vivi, algo que gostaria ou não de ter vivido ou algo que observei alguém vivendo, portanto do ponto de vista do leitor, não é tão fácil assim imaginar o que se estava passando em minha cabeça quando escrevi isso ou aquilo.
Quando eu me acho na obrigação de dar minha opinião sobre um certo assunto, assim eu o faço: diretamente e em primeira pessoa. Mas caso esse não seja o caso, não há porque alguém achar que eu esteja me escondendo atrás das minhas palavras.
Não escrevo por obrigação, mas por paixão. Eu bem que poderia guardar meus manuscritos no fundo de uma gaveta e passar a chave nela, mas me dei conta que compartilhar com meus leitores o universo dos meus livros e contos, e também a minha visão geral das coisas ao meu redor através das minhas crônicas é muito mais gratificante do que simplesmente me esconder atrás da sombra de alguém que tem medo de ser crucificado. Além do mais, essa também é uma forma de meditação.
Por isso só espero que esse meu mundo continue sendo apreciado ou eventualmente até rejeitado pelos meus leitores, porque independentemente dos resultados serem frutíferos ou não, saberei que ocupei os pensamentos de alguém nem que por alguns minutos preciosos. E essa já será minha vitória.
Luciana B. Veit
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