Procuro celebrar cada momento, é de minha natureza, mas devo admitir que houveram ocasiões que me ensinaram a celebrar eventos, digamos, menos festivos.
Após 4 anos em Dubai, onde chuva é tão rara como uma nevasca no Rio de Janeiro, aprendi a celebrar cada pingo que cai. Ainda aprendi celebrar a diversidade e o preço relativamente baixo de frutas no Brasil (na Tailândia, ou na Índia por exemplo), louvando cada suco natural, cada milk shake que possa fazer sem ter que enfiar a mão fundo no bolso para pagar um dólar americano para comprar uma única laranja, como é o caso no Coréia.
Celebro cada dia que tenho um carro na garagem, porque sei bem demais o que é depender de transporte público em grandes cidades. Celebro o fato de educar meu filho para ser o imperador do mundo sem problemas de consciência, porque é da natureza dos pais sempre desejarem o melhor para os filhos, quando mimar já seria outra coisa…
Celebro o fato de não me arrepender de nada até agora. Houveram momentos tensos onde poderia ter agido ou falado diferentemente, mas pelo fato de ter sido fiel com o meu íntimo, não me arrependo.
Celebro a minha imagem no espelho, apesar dela não ser perfeita. Celebro minhas capacidades físicas e intelectuais, mesmo sabendo que sempre existe lugar para progresso. Celebro o meu conhecimento espiritual de que todas as religiões no fim são uma só, e celebro a certeza de que somos eternos.
Celebro acordar ao lado do homem que amo e celebro sorrir e chorar junto do meu filho, alem de também poder participar de suas atividades, de seus sonhos. Com minha família que reside longe, celebro falar no telefone – que passou a ser a nossa ponte da saudade – e celebro mais ainda os poucos, mas intensos dias quando nos revemos.
Celebro a saúde, porque já fiquei de cama.
Celebro as experiências negativas, porque elas me fazem crescer, mas na semana que passou, celebrei o meu aniversário.
Tem gente que não gosta de falar a respeito por diversas razões, inclusive eu ainda um pouco mais jovem, quando achava que lembrar terceiros do próprio aniversário era triste ou narcisista. Mas hoje eu não me importo com que os outros venham dizer ou pensar. Celebro meu aniversário porque eu me celebro. Ame quem queira me amar, e quem não gostar de minhas palavras, dos meus gestos, de minhas ações ou de minha essência, não fará diferença alguma em minha vida, porque meus pilares são fortes e resistentes.
Por isso celebro o início de um novo ciclo em minha vida, torcendo para muitas portas sejam abertas e outras menos favoráveis sejam fechadas.
À mim e a todos aqueles que tem todos os motivos (sendo eles poucos ou muitos) para se celebrarem! Tchin, tchin…
Luciana B. Veit
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