Borodino

luz na florestaFaltando um dia para o maior de todos os feriados na , o Dia da Vitória contra o Fascismo, decidimos nos aventurar pelo interior, a 130 km de , mais precisamente no vilarejo de Borodino.

Para os fanáticos por Napoleão Bonaparte, Mikhail Kutusov, Léo Tolstoi ou Nelson Demille, Borodino não é nenhum segredo, mas para os menos informados, se trata de um campo entre as colinas, palco para a mais sangrenta de todas as batalhas do oitavo regimento da Grande Armée de Napoleão, que durou nada menos do que 15 horas, no dia 7 de setembro de 1812, matando em torno de 40 mil russos e 30 mil franceses. Esse era o início do fim do jovem general.

Atualmente, Borodino é uma das atrações turísticas mais populares do país, acolhendo um pequeno, mas rico museu, vários monumentos espalhados pelo campo, um belíssimo monastério, um vergonhoso toalete, e centenas de abrigos para soldados, tanto da de Napoleão, quanto da segunda mundial.

Parada na grama olhando ao meu redor, me dei conta de que as árvores foram testemunhas do banho de sangue. Tentei imaginar os gritos de ecoando pela paisagem, a desesperança nos olhos dos soldados e o cheiro fétido de cadáveres esquecidos, quando de repente, um evento mereceu a minha .

Um grupo de jovens soldados russos chega no local para prestar suas homenagens às almas sofridas. Eles não pagam a entrada para museu e nem a permissão para fotografarem, diferente dos estudantes que pagam meia-entrada, ou cidadãos russos que pagam inteira ou estrangeiros que pagam uma inteira e meia. Num ato digno de respeito, os soldados escutam em silêncio o hino russo e canções de vitória da coro do exército vermelho do auto-falante ao longe, para os ensaios para o feriado (algo que realmente arrepia), depois colocam a coroa de flores sobre a tumba do soldado desconhecido, e partem sem maiores cerimônias de volta para o lugar de onde vieram.

O luto pelo o que se deu em Borodino com e sem Napoleão, além do patriotismo e orgulho pelo Dia da Vitória contra o Fascismo, me obriga a me perguntar se os russos realmente compreenderam contra o que eles lutaram, contra qual ideologia eles sangraram, e não contra quem. Não quero acreditar que somente sentimentos negativos permaneceram na alma russa em relação aos forasteiros, mas devo dizer que me alegraria muito em poder deixar esse país (em breve) com uma impressão diferente.

Luciana B. Veit


 

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