De acordo com várias pesquisas, presentear um livro à alguém tem se tornado cada vez mais raro. Está certo que mesmo os aficionados pela leitura resolvem não presentear livros, porque acreditam que a escolha de um título seja algo muito pessoal. Mas qual presente não é pessoal? Cada caixa de chocolate, cada frasco de perfume, peça de lingerie ou até cada game eletrônico passou pelo processo de seleção (emotiva), então por que um livro passou a ser tão marginalizado?
Há quem diga que ler um livro seja caro, mas fato é que quem quer ler, sempre dá um jeito. Pega emprestado, visita uma biblioteca, paga em três vezes… Lê, lê, lê até o sono bater, porque esse sim é seu inimigo número 1.
Acredito que o desinteresse pela leitura hoje em dia se dá pela falta de vontade. Não há desculpa. É mais fácil ver TV do que ler e pensar. A grande massa prefere assistir um capítulo de uma novela ruim, ou assistir um episódio de um Sitcom de trinta minutos onde se ri por nada, quando poderiam estar rindo de uma passagem cômica de um livro mais leve.
Eu não sou contra a televisão, bem pelo o contrário, acho que tudo é importante na vida: televisão, fastfood, comida macrobiótica, álcool, preocupações, lazer e por aí vai, mas o que define a qualidade de vida não são os exageros, mas sim o equilíbrio.
De volta ao livro, tenho lido com freqüência à respeito de editoras nada convencionais, e-books, enfim, maneiras alternativas de trazer a massa de volta à leitura. O mercado editorial está preocupado com a situação, e não é só no Brasil, não. O desinteresse pela leitura é geral.
O que mais me surpreende, é que somente através de um livro a pessoa é dona de suas visões, e ainda sim ninguém dá a mínima. No trabalho, na escola, em um relacionamento, nós somos sempre indiretamente liderados – inclusive um líder, que é obrigado a levar muitas coisas em consideração para tomar suas decisões. Mas quando duas pessoas lêem um mesmo livro, um personagem de uma mulher morena de lábios carnudos com vestido vermelho e sandálias douradas, por exemplo, será diferente para cada uma delas.
A liberdade é algo difícil de se alcançar, até de se compreender, mas através de um livro a liberdade de pensamento pode ser experimentada em toda sua complexidade.
Existem mil motivos para se ler um livro, mas para mim pessoalmente, o motivo maior seria a liberdade de visualização – e isso não tem preço.
Luciana B. Veit
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