Em Barcelona encontra-se de tudo: mar, areia, montanha, prédios modernos e casas medievais, avenidas chiques e praças histórias, Gaudi aqui e ali, comida muito boa e muito ruim, gente bonita, gente alegre, gente corada, mas também gente feia, gente desesperada e gente drogada.
Em meio dos cidadãos catalães, vejo turistas de passagem vestidos confortavelmente (o que não deixa de ser brega quando combinam tênis com saia justa), que batem a cidade na perna com a máquina fotográfica pendurada no pescoço e mal prestam atenção nos hábitos das pessoas nativas, quando prédios e lojas de departamentos e de souvenires ocupam a lista das atrações mais importantes. Mas ainda sim, brega ou chique (tanto na vestimenta quanto na atitude), gastão ou econômico, esses turistas são bem visados pelo governo espanhol.
Fora essa raça de estrangeiros, vejo também muitos brasileiros: trabalhadores de obras, vendedores de lojas, garçonetes, funcionários de museus ou servidores de sorvete portando a folha de bananeira (vide texto) no bolso com pelo menos uma atitude de respeito, consigo mesmos e automaticamente com os outros.
Já a ralé que me fez sentir vergonha de abrir a boca para dizer que era brasileira, apesar de estar com meu marido e filho à tira-colo, foram as centenas de vadias que sem qualquer nível de educação, de bom senso ou de elegância deixam o Brasil para manchar a imagem do nosso povo (principalmente das nossas mulheres) que já é frágil e duvidoso no mundo afora. Refiro-me à mulheres vulgares e baratas que andam se oferecendo para qualquer homem que passar na rua na esperança de saírem dessa vida miserável.
Sempre fui a favor da prostituição legalizada, mas quando um ato desse começa manchar a honra de outras mulheres que nada tem a ver com essa vida, é hora de dar um basta.
Já não é de hoje que às vezes sinto olhares maldosos em minha direção no exterior toda vez que digo ser brasileira e apesar de ser uma mulher de respeito, sinto-me na obrigação de contar um pouco sobre a minha vida, a minha família e sobre o meu passado só para cortar qualquer insinuação errônea daquelas pessoas que passarão fazer parte do meu círculo de conhecidos, voluntaria ou involuntariamente.
É bom encontrar brasileiros praticando foot-volley numa praia européia, ou restaurantes vendendo cochinhas de frango ou picanha, ou até falar na própria língua mãe com aquela vendedora da sapatos, mas tirando essa colônia, não é legal receber olhares tortos de espanhóis que estão fartos de terem que lidar com a “nossa” folga, com esse nosso jeito abusivo de acharmos que eles tem a obrigação de entender Português só porque os dois idiomas são tão parecidos.
Apesar do orgulho catalão, o que representa uma parte do forte regionalismo espanhol, os nativos de Barcelona são muito gentis e tem muita boa vontade de dar informações, mas quando torcem os nariz, é porque muitos brasileiros já abusaram da hospitalidade.
E o que ainda achei curioso, foi o fato dos jovens serem os mais incomodados em relação à presença brasileira do que os mais velhos, que são geralmente aqueles que tem mais dificuldade para se adaptarem a um mundo mais aberto.
Brasileiros, como os demais estrangeiros, se maravilham com os encantos de Barcelona, mas deixando alguns casos injustiçados de lado, certas são as autoridades espanholas que deportam brasileiros e brasileiras do seu território, que nada mais tem como objetivo do que fazer dinheiro fácil e ilegal, de um jeito ou de outro, e afundar a imagem daqueles outros brasileiros que tentam levantá-la.
Luciana B. Veit
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