As cores e as lentes de proteção

Máscara, OuroPor mais que tento ver o mundo com olhos inocentes, me deparo com a nua e crua realidade: a natureza humana é mesmo podre.

Exemplos temos de montão: pais que engravidam, escravizam, vendem e mutilam as genitálias das próprias filhas; adolescentes de 11 e 12 anos que abusam sexualmente de de pré-primário; homens velhos que maltratam suas jovens esposas de países pobres por se acharem nos seus direitos; tráfico de mulheres feito não só por criminosos mas financiados por homens distintos da alta sociedade; pedofilia na internet e na igreja católica; maltratos de mãe e madrasta para com os filhos e por aí afora.

Basta sairmos na rua e começarmos a observar as pessoas. Será que esse aí abusa de sua esposa sexualmente? O que será que ele cogita na privacidade total de seus pensamentos? Quais são suas fantasias mais secretas? Ele sai só com mulher ou paga um adolescente drogado para lhe dar um bom trato no hemisfério sul? Procura na internet por cenas chocantes gravadas no ápice do ato do horror como suicídios, assassinatos, etc?

Posso eu confiar meu filho na casa daquele amiguinho da escola cujo pai é desempregado e alcoólatra, ou na casa do outro coleguinha cuja mãe tem um olhar falso e perturbador que não corresponde com o resto da imagem que ela tenta vender?

Assusto e roubo a inocência de uma criança explicando para ela estar sempre atenta com doentes mentais andando livre por aí ou dou um voto de confiança para as maldades do mundo?

Abro minha para uma amiga que se corrói de inveja ou acabo guardando muitas tristezas e alegrias para mim mesmo?

Esse é um mundo de toma-lá-dá-cá. Por mais que tentemos enxergar o lado floril das coisas, as trevas conseguem nos cegar com mais freqüência que gostaríamos de admitir. No entanto, os mais fortes ainda conseguem superá-las respirando fundo o ar poluído como se ele fosse puro e agradecendo por não ter sido baleado e nem raptado naquele assalto à mão armada.

Até a próxima recaída, que enxerguemos as cores vibrantes do mundo, mas sempre com lentes escuras de proteção.

Luciana B. Veit


 

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