Com o fim da Copa do Mundo a pergunta permanece: até que ponto podemos nos orgulhar da nossa bandeira? Não me refiro ao Brasil, nem à nenhum país sul-americano, africano ou do sudeste asiático.
Aqui, na Alemanha, os dirigentes estão orgulhosos que seu país tenha alcançado muito mais do que o terceiro lugar na Copa; o patriotismo voltou a ser exibido sem medo. Mas será que o amor e orgulho dos alemães desapareceu mesmo nos anos do pós-guerra? Com um passado nazista, os alemães, inclusive das novas gerações, nunca se sentiram livres de se expor através da bandeira seu amor pela pátria, mas sim através de um bom senso comum da sociedade, de uma vontade única de reerguer um país com um terrível peso sobre os ombros. E conseguiram. Agora os alemães se perguntam no seu íntimo se o mundo está pronto para vê-los com uma outra imagem.
Mas a Alemanha não anda sozinha nesta questão. A França também divide tal inquietude, porque sair com a banheira tricolor pelas ruas afora seria uma provocação para com seus estrangeiros de banlieue, já que o racismo ainda é uma questão vivíssima.
O mundo deixou de idolatrar a bandeira dos Estados Unidos por estarem cansados de serem seus eternos súditos e ainda as bandeiras da Coréia do Norte e Israel provocam mal-estar em seus vizinhos.
Mas a Rússia, que fecha os olhos para o crescente problema de ódio aos estrangeiros, expõe sua bandeira de uma forma sufocadora. O exibicionismo é tão grande, que seria impossível para um cidadão russo não se sentir superior perante o restante do planeta.
No entanto quando a Tanzânia, Tailândia, México, Brasil e tantos outros imploram indiretamente através da exibição de suas bandeiras pela atenção dos seus irmãos mais ricos ou mais poderosos, esses não carregam em si uma imagem negativa.
Realmente curioso. Expor ou não expor? “Ser ou não ser”?
A questão da bandeira ainda vai dar muito o que falar.
Luciana B. Veit
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Tags: Alemanha, bandeira, Brasil, Copa do Mundo, medo
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