Sou bonita, exótica, macia, sedosa e gostosa, mas não sou a única do pedaço. Meus companheiros dividem o espaço de duzentos metros quadrados comigo, mas mesmo assim é só para mim que ele vem.
Ele deita e rola, esfrega suas partes íntimas sem a mínima consideração ou respeito, come e se lambuza. Baba. Tenta fazer com que eu divida e compreenda suas aspirações mais preguiçosas.
Brinca, pula e gira. Delira. Filosofa por horas à fio sobre a sua função. Não compreende o motivo dos outros seres não perceberem a sua superioridade, entre aqueles que se dizem fazer parte de sua família. Há até momentos em que ele nega a sua natureza e vem chorar suas mágoas sobre mim.
Gera ciúmes e inveja entre eu e os meus entes queridos, devido à sua clara preferência para com a minha pessoa, sem se preocupar com o sentimento alheio.
Por mais que eu tente, não consigo me livrar dos seus finos, loiros e curtos fios de cabelos que se recusam a me deixar respirar. Seus lábios negros me acariciam. Sua unhas afiadas e longas me coçam e me fazem rir.
Sua intimidade é tamanha comigo, que ele se acha no direito de fazer até a sua toalete sempre que necessário sobre o meu território. Refresca as suas nádegas nos meus gelados cabelos de seda, me lambe por inteira e me deixa a um passo do êxtase total.
Por fim ele, o buldogue inglês, declara o seu amor incondicional por mim, o tapete persa.
Luciana B. Veit
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