Amor Incondicional

buldogue inglêsSou bonita, exótica, macia, sedosa e gostosa, mas não sou a única do pedaço. Meus companheiros dividem o espaço de duzentos metros quadrados comigo, mas mesmo assim é só para mim que ele vem.

Ele deita e rola, esfrega suas partes íntimas sem a mínima consideração ou respeito, come e se lambuza. Baba. Tenta fazer com que eu divida e compreenda suas aspirações mais preguiçosas.

Brinca, pula e gira. Delira. Filosofa por horas à fio sobre a sua função. Não compreende o motivo dos outros seres não perceberem a sua superioridade, entre aqueles que se dizem fazer parte de sua . Há até momentos em que ele nega a sua natureza e vem chorar suas mágoas sobre mim.

Gera ciúmes e inveja entre eu e os meus entes queridos, devido à sua clara preferência para com a minha pessoa, sem se preocupar com o sentimento alheio.

Por mais que eu tente, não consigo me livrar dos seus finos, loiros e curtos fios de cabelos que se recusam a me deixar respirar. Seus lábios negros me acariciam. Sua unhas afiadas e longas me coçam e me fazem rir.

Sua intimidade é tamanha comigo, que ele se acha no direito de fazer até a sua toalete sempre que necessário sobre o meu território. Refresca as suas nádegas nos meus gelados cabelos de seda, me lambe por inteira e me deixa a um passo do êxtase total.

Por fim ele, o buldogue inglês, declara o seu amor incondicional por mim, o tapete persa.

Luciana B. Veit


 

No related Chronicles.


Tags: , ,
Este post foi publicado emCrônicas 2006 e tags , , . Bookmark o permalink. Comentar ou deixar um trackback:Trackback URL.

Comentar

Seu email nunca será publicado ou distribuído. Campos obrigatórios estão marcados com *

*
*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Notify me of followup comments via e-mail. You can also subscribe without commenting.

  • Língua

  • Categorias

  • Arquivos