Os brasileiros no exterior não são os únicos que são obrigados a enfrentar sempre a imagem estereótipa de uma nação alegre, desorganizada, mas ainda sim talentosa.
Os alemães também lidam com vários mitos. Por mais que os sensatos concordem que existam exceções, não resistem a apoiar vários contos destorcidos. Está certo que o passado alemão continua a assombrar seu presente, mas como os brasileiros, os alemães visam o futuro – talvez até com mais seriedade do que meus compatriotas.
Por isso gostaria de desmistificar algumas lendas e também confirmar outras que andam na boca do povo sobre os alemães:
- Da onde saiu o absurdo que alemão gosta de cerveja quente? Talvez da cabeça de um brasileiro. Eles gostam mesmo de salsichão, de chucrute, de pão preto e de bolo, mas adoram cerveja gelada e nem todos veneram a batata.
- Existem ovos de chocolate sim na Páscoa, mas a tradição é diferente da nossa. O coelho esconde no jardim, ou dentro de casa mesmo, pequenos ovinhos de chocolate. Assim as crianças são obrigadas a procurar pela recompensa. Elas também recebem presentinhos não muito caros dos familiares e pintam com aquarela cascas de ovos cozidos.
- Os alemães preferem se banhar com sabonete líquido, mas isso não signifique que não exista sabonete em pedra. E quanto se lavar diariamente ou não, isso vai de pessoa para pessoa, e não tem relação nenhuma com a identidade nacional alemã. Eu pelo menos não posso reclamar…
- Mulher alemã faz questão de dividir a conta com um homem para não se sentir comprada. Nesta questão, a diferença da cultura e dos costumes brasileiros é como dia e noite, porque nós, brasileiras, nos sentiríamos um lixo por ter que pagar para ter compania de um homem.
- Como qualquer homem no planeta, o alemão também curte uma cama e uma mulher quente.
- Mesmo após ter tido intimidades, o casal não irá se tratar por senhor e senhora, como Herr fulano e Frau cicrana.
- Respeitando o limite e o espaço pessoal de cada um, o alemão é visto como frio. Eu digo que eles não são folgados.
- Eles fazem questão de tanta ordem e organização não para serem chatos, mas sim para facilitar o dia-a-dia.
- Falam diretamente ao invés de fazerem poemas para não perderem tempo e não causarem más-interpretações.
- No Natal, ao invés de se sentarem de frente à TV, os alemães reúnem a família e fazem jogos – que para muitos brasileiros são pra – lá de cafona. Talvez sejam mesmo, mas com o passar dos anos percebi que eles, que tem a fama de não apoiarem o sentimento de família que os brasileiros tanto defendem, fazem de tudo para mantê-la unida, só que à sua moda.
- Os alemães recebem os estrangeiros com prazer, na esperança de fazerem novos amigos e junto aos japoneses, é o povo que mais viaja internacionalmente. O passado nazista está presente e ciente em suas cabeças, mas não em seus corações. A minoria ignorante que ainda vê um estrangeiro como inimigo não tem voz na sociedade, mas sim é marginalizado.
- A tecnologia alemã é uma das melhores do mundo, mas isso não significa que não existam alemães com grande sensibilidade artística e humana.
- A Alemanha não é um país com uma indústria a cada esquina. Basta sobrevoar uma região e conhecer a outra de carro, bicicleta ou trem para visualizar que a grande parte do seu território é coberta por florestas e campos agrários.
Enfim, a lista dos mitos alemães é interminável, da mesma forma que a lista da imagem nada fiel dos brasileiros não encontraria um fim. Mas saber da verdade, mesmo com a peneira tapando o sol, sempre é algo positivo, ou não?
Luciana B. Veit
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