Saber dar valor às oportunidades que cruzam nosso caminho não é tão fácil quanto parece.
Cada indivíduo tem diversos sonhos sendo eles nos campos profissionais, amorosos e no campo de lazer e turismo. Mas com cada ano que passa, passamos a compreender que nem sempre conseguimos realizar nossos desejos de acordo com a nossa receita. Neste caso ter perseverança não tem nada ver com os nossos limites.
No campo profissional, existem pessoas que não sabem se auto-julgar. Basta olharmos em volta ou ligarmos algum programa de TV “real”, onde meninas sem a mínima auto-confiança e estilo querem por que querem se tornar modelos, ou garotos sem talento algum participam de castings após castings para atores sem nunca conseguirem nada, ou ainda falsos advogados ou vendedores que nunca tiveram e provavelmente nunca terão o gostinho do sucesso na boca… Ao meu ver, continuar batendo na mesma tecla não é perseguir um sonho, ter perseverança, mas sim jogar o tempo que é precioso para fora da janela, quando poderíamos ter olhado para dentro de nós mesmos e descoberto a tempo nossos verdadeiros talentos. Todos nós somos especiais e insubstituíveis em alguma coisa.
E daí que o fulano se formou em medicina, quando sua verdadeira paixão está na pintura? E aquele outro sujeito que até fez pós-graduação de alguma profissão chata só para pendurar o diploma na parede e se sentir vazio no fim da vida, quando no fundo do peito ele gostaria de ter ido contra as tendências do mercado e contra as sugestões dos seus pais, largando tudo para se dedicar a aquela coisa em especial que sempre dominou seu coração? Acredito que somente as pessoas que fazem o que amam podem verdadeiramente ter sucesso, independentemente da grana que será ganha ao longo dos anos. Afinal, não viemos para a Terra somente para nos tornarmos ricos, mas sim para progredirmos e para sermos felizes.
Existem casos onde a verdadeira vocação só será revelada como se tivesse vida própria: na hora certa, no local exato. Pôxa! Eu sou realmente bom nisso ou naquilo. Nunca tinha imaginado! Como vêem, está aí a chance de agarrar uma nova oportunidade que poderia ser brilhante na vida, mas ainda sim poucos o fazem.
Já no campo amoroso, que para a maioria é um caminho cheio de pedras, saber reconhecer a nossa outra metade – independentemente se você tem 18, 25, 45 ou 60 anos – talvez seja a tarefa mais difícil de todas. Ela é difícil porque é custoso aceitar os defeitos dos outros, compreender que não existe ninguém perfeito nesse mundo. Para muitos, eles se darão conta que perderam a oportunidade de compartilhar a vida deles com a única pessoa que poderia ser não só o melhor amante, mas o melhor companheiro e amigo quando já for tarde demais. Acredito que aqui importante é saber ouvir o coração e peneirar toda outra informação que não vem ao caso.
Lazer e turismo não são considerados campos importantes para muitos, o que é um grande engano, porque é aqui que balanceamos nossa alma de novo. Trabalho é importante, um estável relacionamento amoroso também, mas todos nós precisamos de um time-off! As oportunidades perdidas em termos de lazer não são tão trágicas assim, que possam gerar um arrependimento de vida dramático: – Por que não fui assistir o show do Evanescence? Jamais poderei me perdoar… Como revanche, voltarei ao cinema três vezes para ver o último filme do Harry Potter (?!).
No entanto, mais dramáticos são as oportunidades perdidas em relação ao turismo, à viagens. Visitando lugares históricos, alguns pensam: – Ah! Eu não vou ficar 2 horas na fila para poder entrar dentro daquela pirâmide, ou para subir a torre de Pisa.
Mas depois que essa pessoa volta para a sua casa e vê as fotos da viagem, se arrepende se não ter esperado 2 ou 3 horas na fila para ter experienciado algo de especial.
Pior são aqueles que tem amigos ou parentes que se mudaram para uma cidade ou para um país longe e diferente, que recebem cartas-convite e emails praticamente diariamente com o lembrete: Quando posso te buscar no aeroporto?
Aquele que foi convidado pensa: – Eu tenho tempo. Um dia irei para lá…
Mas aí o amigo ou o membro da família se muda repentinamente e a oportunidade é perdida de conhecer um lugar novo, não como um turista segurando um livreto e um mapa nas mãos, mas sim como um turista que tem a chance de aproveitar um guia pessoal.
– Eu queria é conhecer Barcelona, mas me pintou a oportunidade de ir para Beijing, por isso não irei! – diz um fulano claramente sem pensar logicamente à respeito.
Às vezes temos que reconhecer as oportunidades que estão na nossa frente e agarra-las com fervor, por mais que elas não façam parte dos nossos sonhos.
Por mais que os sonhos sejam o reflexo dos desejos de nossas almas, eles nem sempre significam que nos fariam felizes e que permitiriam nosso progresso mental e espiritual. Por isso mergulhar de cabeça, agarrar as oportunidades como se fossem as últimas e atravessar um porta que acaba de se abrir de olhos vetados não me parece um exagero.
Luciana B. Veit
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