Com todo alvoroço em torno da idéia de que Jesus Cristo tenha sido marido e pai, concluo que a humanidade está mesmo perdida, porque se Ele escolheu amar uma mulher de uma maneira mais íntima, isso só confirma que Jesus foi mesmo um homem santo, um homem extraordinário, e ainda filho de Deus, porque o que Ele pregou acima de tudo, foi o amor.
Na essência dos acontecimentos, nós matamos e morremos pela mesma idéia de divindade, pelo mesmo único Deus em diferentes nomes. Até quando continuaremos a ser tão cegos antes de notar isso? Será que os interesses clericais triunfarão sobre a nossa mais genuína fé, independentemente de qual livro nós lemos, ou em qual templo nós rezamos?
Por que nos deixamos sufocar com palavras que não saíram das nossas próprias bocas? Por que permitimos que terceiros tenham uma influência na nossa mais íntima espiritualidade? Por que não aprendemos do passado, quando tanto homens, quanto mulheres morreram mortes horrendas em defesa da liberdade de expressão? Por que nos custa tanto amar e admirar quem e o que está a nossa volta?
Muitos tentam provar o impossível: que de um lado a ciência tem razão, e que de outro lado a igreja (seja lá qual for) possui a absoluta verdade. Entretanto, fé e crença não deixam de ser sentimentos. Os sentimentos são e devem sempre ser livres de qualquer dogma ou imposição. Portanto, se Jesus agiu como um homem mortal ou não, cabe a cada um acreditar naquilo que lhe acaricia o coração.
O milagre da vida e os presentes mais preciosos que nos foi dado pelo nosso Deus, que são a liberdade e amor, estão desaparecendo da face da Terra. É por isso que jamais deveríamos nos esquecer que acreditar não é saber. Daí nasce a tolerância, logo a paz.
Luciana B. Veit
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